Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2016

Mordomia sem sair de casa

A quantidade de serviços pay per use oferecidos pelos condomínios não pára de crescer e vão de treinos funcionais a até mesmo sommeliers Continue lendo

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Mario Camelo

A falta de tempo é um dos principais problemas enfrentados pela sociedade moderna. Necessitamos de tempo para ir ao trabalho, para cuidar da casa e da família, para praticar exercícios, para comer, para ir ao mercado, para o lazer, para descansar… Ufa! A lista nunca termina e, pensando nessa correria diária que a maioria de todos nós enfrenta, alguns condomínios desenvolveram serviços especiais para atender aos seus condôminos ali mesmo, em casa.

De treinos funcionais a classes de natação, passando por personal trainer, lava-jato e até mesmo mão de obra especializada em cuidar de crianças. Afinal, realmente precisamos de tudo isso. E o que pode ser melhor do que ter essas pequenas mordomias em casa? Nas grandes capitais brasileiras, é cada vez mais comum que esses tipos de serviços pay per use (em português, pague para usar), somados a outros como lavagem de roupa (que seriam típicos de hotéis), estejam mais presentes nos condomínios residenciais. Além da praticidade, isso também acontece pelo fato de que o conceito de “condomínio-clube” não pára de proliferar. Esses condomínios seriam os lugares onde se pode viver e ter todos os serviços necessários no mesmo lugar. Uma pesquisa realizada por uma administradora de condomínios no estado de São Paulo atesta que o número de empreendimentos do tipo clube na capital paulista e na Região Metropolitana de São Paulo cresceu cerca de 114% nos últimos três anos.

Em Brasília, no condomínio-clube Park Sul Prime Residence, administrado pela APSA, de 676 unidades e cerca de 1.300 moradores, há uma infinidade de serviços diferentes: aulas de natação e hidroginástica na piscina; professores exclusivos, treinos funcionais e classes de dança na academia; aulas de tênis e futebol para crianças e adultos; salão de beleza para todos os públicos; brinquedoteca; salão de jogos; lava-jato ecológico; e até mesmo um serviço exclusivo de sommelier, ainda em implementação, para atender à utilização das duas adegas do local. “Os moradores usam bastante todos os serviços. Como temos muitos e bem diferentes, temos uma utilização muito alta, felizmente”, afirma o síndico do condomínio e psicólogo Fábio Caló.

Já no Conjunto Residencial Boulevard, de 152 unidades, localizado no bairro carioca de Vila Isabel, a síndica Glaucia Lopes não tinha um “condomínio-clube”, mas mesmo assim trouxe para o edifício, há cerca de dois meses, um serviço que hoje é um verdadeiro sucesso entre os moradores, o treinamento funcional. “Contratamos um profissional de Educação Física que fica à disposição dos moradores três vezes por semana. Nós cedemos o espaço e ele traz os equipamentos. As aulas acontecem de manhã para a terceira idade e à noite temos classes “de desempenho” para os mais jovens. Como são circuito, eles podem ser adaptados para todas as idades, o que é ótimo no nosso caso. Além disso, o nosso conjunto tem muitos idosos. Eles não trabalham mais e passam o dia todo em casa. Sendo assim, fui pesquisar e conversando com vários profissionais, encontrei no treinamento funcional uma excelente opção de serviço”, comenta ela, que explica ainda que os treinos não ficam caros para o condomínio, já que os utensílios necessários para as aulas são baratos (cone, bambolê e bola suíça, por exemplo) e o próprio morador está a cargo da sua mensalidade.

Glaucia divulga as classes pelo quadro de avisos do elevador e está pensando em, futuramente, disponibilizar serviços e atividades também para os funcionários, pois se preocupa com o bem-estar de todos. “Estou pensando em bolar alguma atividade física para eles, como, por exemplo, ginástica laboral”.

Quando os moradores criam o serviço

Normalmente, é o próprio síndico, a construtora ou mesmo a empresa administradora do condomínio que cria ou implanta os serviços, no entanto, há casos em que o próprio morador vê uma demanda de mercado e resolve empreender. É o caso da CuidArte, uma empresa carioca especializada em cuidado infantil e babysitting, criada há três anos por dois irmãos e que está localizada num condomínio no Recreio do Bandeirantes, Rio de Janeiro. “A gente se inspirou no modelo de negócio norte–americano. O cliente vem e deixa a criança com a gente e depois volta para buscá-la. Nós temos uma porção de atividades lúdicas, atividades educativas e também levamos os pequenos ao parque e aos arredores do prédio para passear”, explica Felipe Niemeyer, criador da empresa, que atende a diversos clientes pelo bairro.

Serviços como o de babysitter e também outros mais hoteleiros como o de camareira são alguns dos mais solicitados e sonhados atualmente pelos moradores de condomínio. E independentemente de quem cria o serviço, o que sabemos é que essas novidades já viraram uma verdadeira tendência e não somente nos “condomínios clube”, afinal, ter uma vida mais prática e poupar tempo é um desejo de todos. No entanto, um outro motivo tem sido decisivo na escolha do morador por este estilo de vida. “Em consultório, atualmente recebo várias pessoas que me procuram porque sofreram alguma experiência de violência, como um assalto à mão armada ou um sequestro-relâmpago ou que estiveram sob a mira de uma arma… E isso gera um quadro psicológico bem complexo de transtorno de estresse pós-traumático. O que percebemos em determinados segmentos da sociedade, como a Classe Média, é que as pessoas estão querendo se proteger dessas situações. E por mais que morar num condomínio-clube possa limitar a experiência de vida ou de interação com a cidade, há um movimento de busca por esses lugares fechados, até mesmo para entretenimento (como shopping centers), por existir uma prioridade da Segurança. Então, não é por acaso que essa tendência de condomínios que concentrem serviços próximos ou mesmo dentro, está crescendo. E certamente vai crescer muito mais, não só pela comodidade, mas também por um fator crucial, que é a segurança que esses locais trazem. Então, acredito que seja sim, uma tendência na nossa sociedade”

 

O que vem por aí: conheça o empreendimento carioca voltado para o bem estar dos idosos

Idealizado por um endocrinologista, o empreendimento Mandala Senior Living promete trazer uma excelente novidade ao mercado. Todos os serviços oferecidos pela construtora têm foco na qualidade de vida dos idosos, que nos próximos anos baterão o número de 60 milhões somente em território nacional. Num primeiro momento, dois hotéis localizados no Rio de Janeiro iniciarão as atividades do Mandala Senior Living e o projeto completo deve ficar pronto em até cinco anos. “Queremos proporcionar todo o cuidado ao idoso da classe média alta, que normalmente fica isolado e sofre de abandono, por mais que a sua condição financeira seja boa. Vamos preparar o idoso para os anos de grande festa da sua existência. Afinal, ele trabalhou, se aposentou e tem direito de curtir o resto da sua vida com muita alegria e num ambiente extremamente agradável”, explica o Dr. Tércio Rocha, criador do projeto.

O atendimento com qualidade a idosos ainda é muito pouco explorado no Brasil. Enquanto nos EUA e Europa bairros para idosos são uma alternativa amplamente disponível, por aqui existem poucas opções de algumas casas que se propõem a atender a estas necessidades. “Grandes cidades demandam esse serviço e é claramente uma excelente oportunidade de negócio para investidores. Existe uma demanda muito grande, e completamente desassistida”, conclui Tércio.