Rio de Janeiro, 7 de setembro de 2014

É tempo de fazer planos… Orçamentários

Com a aproximação do fim do ano, o síndico precisa se prevenir para que as despesas extras não virem uma dor de cabeça daquelas Continue lendo

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Texto: Gabriel Menezes

A sabedoria popular diz que prevenir é melhor do que remediar. Um síndico não pode nunca se esquecer disso; e, com a aproximação do fim do ano – época de despesas extras, como o décimo terceiro dos funcionários – ele precisa fazer o planejamento orçamentário do condomínio para evitar prejuízos e gastos inesperados.

De acordo com Edgar Poschetzky, gestor da APSA, o item é indispensável. “Uma boa previsão orçamentária deve ser feita com critérios e análises estatísticas, projetando os gastos e custos fixos do condomínio em relação à receita rateada”, diz Poschetzky.

Ele ressalta que a falta de planejamento pode resultar em déficit no caixa e a necessidade de cotas extras. “A essência do condomínio é o rateio de despesas. Quando há um prejuízo, ele é dividido por todos também. Nos casos mais extremos, a ausência de saldo pode provocar falta de pagamento de algumas despesas ou atraso em relação ao vencimento, ocasionando incidência de multas ou, até mesmo a suspensão do serviço” diz o gerente.

Segundo ele, na hora de planejar o orçamento é importante que o síndico faça uma análise das despesas do ano anterior. É necessário cumprir o aumento dos contratos, concessionárias, acordos coletivos dos empregados nos respectivos meses de reajuste e pagamento de 13º salário. Deve, ainda, ser observada a média mensal de inadimplência da taxa de condomínio, de forma a evitar recebimentos inferiores ao planejado. “Dependendo da quantidade, a inadimplência pode gerar um grande impacto no orçamento. Devem-se incluir ainda nas contas as verbas para realização de serviços como seguro obrigatório de incêndio, limpeza de caixa d’água, pára-raios, controle de pragas e outros”, afirma Poschetzky.

Ele ressalta que a instabilidade da inflação pode influenciar o percentual de reajuste das contas. Por isso, é importante, também, que o síndico faça ainda o acompanhamento mensal das despesas orçadas e as realizadas, de forma a corrigir eventuais distorções.

Planejar em conjunto é uma boa opção
Para Henriette Krutman, síndica do Edifício Augusto Cesar Cantinho, em Botafogo, o planejamento orçamentário não é nenhuma novidade. No entanto, isso não quer dizer que ela deixe de ter atenção redobrada sempre que vai fazê-lo. Neste momento, conta com a ajuda da presidente do conselho do condomínio, Maria do Carmo David, que além de auxiliar na elaboração, também faz o acompanhamento durante o decorrer do ano. “Buscamos valores de cotas de edifícios vizinhos como comparativo. Na assembleia, estas informações são apresentadas aos condôminos. Nos últimos anos, não tivemos problemas em aprovar as cotas e temos conseguido mantê-las ao longo do ano sem a necessidade de revisar o orçamento”, explica Henriette.

Ela diz que é essencial manter o controle na ponta do lápis. “Planilhas ajudam, principalmente se forem bem detalhadas, com todos os gastos lançados e especificados. Sem uma base de dados completa e confiável, fica difícil elaborar um bom orçamento. O condomínio deve dispor também de alguém qualificado para analisar e controlar estes números”, diz.

Transparência e organização
No Condomínio Stella Vega, na Tijuca, há mais de quatro anos é adotada uma política de orçamento equilibrado com receitas e despesas bem definidas. De acordo com o síndico, Antônio Carlos Marques, uma alternativa foi a criação de três contas bancárias para o edifício: uma principal, uma para fundo de reservas e uma para fundo de obras. “Dessa forma, sabemos exatamente o que se arrecada e onde se gasta”, diz Marques.

Na conta principal, fica a receita oriunda da cota condominial e destinada aos pagamentos das contas ordinárias, ou seja, concessionárias, salários dos empregados/encargos, prestadoras de serviços, contratos de manutenção, administradora, material de limpeza e seguros. Na conta de fundos de reserva está a receita oriunda do acréscimo de 10% sobre o valor da cota condominial, destinada a cobrir possíveis imprevistos. Já o fundo de obras é definido na assembleia e destinado a obras pré-estabelecidas e aprovadas pelos moradores. A receita vem de uma parte já incluída na cota mensal. “A minha dica é que o síndico atue com transparência total e em diálogo direto com os outros moradores. É importante também trabalhar sempre para cortar gastos, principalmente com água e energia”, frisa.

 

Dicas para fazer o planejamento orçamentário:
- Utilizar critérios e análises estatísticas, projetando gastos e custos fixos do condomínio em relação à receita rateada;

- Observar a média mensal de inadimplência da taxa de condomínio, de forma a evitar recebimentos inferiores ao planejado;

- Fazer o acompanhamento mensal das despesas orçadas e das realizadas, de forma a corrigir eventuais distorções;

- Buscar valores de cotas de edifícios vizinhos como comparativo e apresentar aos moradores;

- Dispor de um profissional ou uma empresa qualificada para analisar e controlar os números;

- Atuar sempre em busca de corte de gastos dispensáveis, principalmente com energia e água;

- Trabalhar sempre com transparência total e em diálogo direto com os outros moradores.