Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2012

Jardins Suspensos

Talvez o primeiro passo para um edifício “verde” Continue lendo

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Numa época onde as mudanças climáticas estão cada vez mais gerando grandes catástrofes em todo o mundo, pensar as ações do homem com mais cautela e atenção pode ser uma medida simples e fundamental na tentativa de evitá-las. Na área de construção civil, a sustentabilidade chegou com força total e tem a cada dia adotado alternativas ainda mais inteligentes frente ao consumo consciente, reaproveitamento de materiais e geração de energia alternativa, por exemplo. Os jardins suspensos surgem como uma dessas medidas. Práticos e bonitos, eles podem ser considerados a solução ideal para quem busca um mundo mais verde.

Os jardins suspensos, ou telhados verdes, como também são chamados, são uma alternativa viável e sustentável perante os telhados e lajes tradicionais, porque facilitam o gerenciamento de grandes cargas de águas pluviais, melhoram a condição térmica do prédio, além de sua importância ambiental e de lazer no condomínio. Eles proporcionam também um ambiente mais fresco, protegendo o edifício de altas temperaturas, especialmente no verão. Em áreas acinzentadas das áreas urbanas, especialmente das grandes cidades, os telhados verdes promovem o reequilíbrio ambiental, trazendo os benefícios da vegetação para a saúde pública e biodiversidade.  Além disso, melhoram consideravelmente a condição acústica da edificação. Estudos mostram que eles conseguem melhorar ainda em cerca de 30% as condições térmicas no interior dos apartamentos, sem que sejam utilizados sistemas de climatização ou ar condicionados artificiais.

“O teto verde mantém a umidade relativa do ar constante. Contribuindo diretamente para o combate ao efeito estufa, ao mesmo tempo em que traz mais harmonia, bem estar e beleza para os moradores”, aponta Marco Vidon, responsável pela empresa Jardins Suspensos, especializada na instalação e manutenção de coberturas verdes.

No condomínio Edifício Parque Visconde de Albuquerque, no Leblon, não há jardins suspensos, mas o cuidado com as áreas verdes é uma preocupação diária dos condôminos e síndico. “Nossos jardins foram projetados por Burle Max e ocupam toda a frente do prédio. Contratamos uma empresa especializada para cuidar do jardim. Um condomínio precisa de uma área verde”, defende Adriana de Souza, administradora do edifício.

No prédio da produtora cultural, Kika Bastos, no mesmo bairro, a ideia da construção dos jardins suspensos é cogitada. “Áreas verdes, jardins suspensos, plantas de modo geral são primordiais para uma melhor qualidade de vida e moradia, além disso, nos dias de hoje é importantíssimo colaborarmos com o meio ambiente”, comenta a moradora.

O revestimento vivo para lajes, telhados e pisos são uma tendência moderna e arrojada da arquitetura e tem ganhado destaque cada dia maior nas grandes metrópoles. Recentemente o edifício Torre Vargas, na Av. Presidente Vargas, Centro do Rio, também montou seu revestimento verde.

Os custos para a instalação dos jardins suspensos variam entre R$155 a R$215 o metro quadrado, de acordo com a espécie das plantas, e a manutenção custa entre R$100 a R$300 de acordo com a metragem. Enquanto os prédios residenciais buscam beleza estética e soluções para a redução de temperatura, os edifícios comerciais priorizam a conquista de certificações LEED e o selo PROCEL.

Incentivos fiscais
Diversas metrópoles do mundo já dão incentivos fiscais para estimular a adoção dos jardins suspensos. Nova York é uma delas. Graças à nova lei, a cidade ganhou, em um ano, pedidos de licenciamento para 87,7mil metros quadrados de coberturas verdes – quase 11 Maracanãs. Os responsáveis por essas obras terão descontos no pagamento dos impostos até o valor de R$100mil por ano.

No Rio de Janeiro, o pacote do prefeito Eduardo Paes para incentivar a construção de prédios verdes na cidade prevê benefícios fiscais, como descontos de 50% ou mesmo a isenção de IPTU e ITBI, além de redução do ISS durante as obras e após o Habite-se. A nova legislação, que ainda precisa ser aprovada na Câmara dos Vereadores, permitirá que edifícios ecológicos tenham outras vantagens, como a possibilidade de coberturas e pavimentos de uso comum maiores,. Serão criados dois selos, Qualiverde e Qualiverde Total, para os projetos. Se a proposta for aprovada, a Prefeitura estima uma renúncia fiscal de 9,8 milhões de reais, considerando que 15% dos novos projetos da cidade obtenham o selo.

Na Região Portuária do Rio de Janeiro, onde está em andamento o projeto de requalificação urbana Porto Maravilha, serão instaurados novos parâmetros ecológicos nas novas construções, como o recuo entre os prédios e o uso de energia limpa pelos edifícios. O edifício Porto Brasilis, na Av. Rio Branco, foi o primeiro edifício ecologicamente correto construído na área, que deve receber outras dezenas de empreendimentos no próximo ano.

Green building
As construções verdes, internacionalmente conhecidas como Green Buildings, são edifícios que na prática, aumentam a eficiência da utilização dos recursos como energia, água e materiais, reduzindo os impactos na saúde humana e no meio ambiente. Criado na década de 70 por urbanistas e arquitetos, o termo é utilizado para construções que prezem em não agredir a natureza. Embora o número de prédios ecologicamente corretos tenha aumentado consideravelmente nos últimos anos, até por conta do incentivo por parte do poder público, eles ainda representam 2% de todos os edifícios. O maior desafio ainda é a adequação de medidas sustentáveis nos condomínios já existentes, que já estão construídos e já tem sua própria cultura.

No início da década de 1990 foi criado o United States Green Building Council com o objetivo de reunir num único fórum as iniciativas para o desenvolvimento dos Green Buildings. Há pouco tempo a organização criou a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) – para separar as construções ambientalmente de primeira classe. No Brasil, ainda são poucos os edifícios com essa certificação, mas a preocupação com o meio ambiente já é uma constante entre os condomínios e os jardins suspensos podem ser o primeiro passo.

Jardins verticais
Além dos jardins suspensos, há ainda os verticais! Você já ouviu falar deles? Há diversas opções para a sua criação, mas o ponto em comum é sempre a utilização de paredes como pano de fundo. Confira, a seguir, três métodos diferentes para se construir um jardim vertical:

1) Blocos pré- moldados já estão disponíveis no mercado blocos de concreto que funcionam como grandes jardineiras. Eles podem ser colocados diretamente no muro ou empilhados na altura desejada, podendo até mesmo ser pendurados com o uso de pilares de sustentação. O resultado é bastante interessante.

2) Vasos e cercas usar cercas, aquelas de arame mesmo, podem ser bastante eficientes quando o objetivo for criar um jardim vertical. Basta acoplar a elas vasos e plantar uma trepadeira, regar e esperar um tempinho, que o resultado logo aparece.

3) Garrafas PET uma solução barata e ecologicamente correta é o uso de garrafas de plástico. Basta fazer uma abertura na lateral, fixa-las na parede, encher de terra e plantar suas espécies preferidas.

Fonte: Mobly Design

Texto: André Luiz Barros