Rio de Janeiro, 23 de maio de 2019

Limpeza nota 10

Um bom esquema de gestão da limpeza pode dar vida nova à sua unidade Continue lendo

materia 5
tamanho do texto:

Aline Durães

Higiene, saúde, bem-estar. Essas são algumas das qualidades encontradas em
ambientes limpos e bem cuidados. Embora aparentemente simples, nem sempre é
fácil alcançar essas características em um condomínio. Ainda mais se estivermos
falando das unidades com um grande número de pessoas transitando todos os dias ou
dos prédios com poucos ou nenhum funcionário dedicado à limpeza. Seja como for,
corredores limpos, áreas comuns varridas, móveis encerados, ambientes com cheiro e
visual agradável são algumas das premissas indispensáveis à boa convivência em um
condomínio.

Estabeleça um processo permanente
Mas como garantir isso 24 horas por dia, todos os dias da semana? O primeiro passo
— e talvez o mais fundamental — é ter um processo consolidado de gestão da
limpeza. “Organização e planejamento são fundamentais; deve-se listar quais áreas
devem ser limpas, qual a frequência de limpeza, quais os tipos de materiais e
revestimentos possuem estas áreas e qual o tipo de sujidade encontrada. Com estas
informações, é possível definir os equipamentos e materiais a serem utilizados na
limpeza e como será o plano de trabalho da equipe de trabalho do condomínio”,
pontua Carlos Eduardo Panzarin, diretor de Conteúdo Técnico da Associação
Brasileira do Mercado Limpeza Profissional (Abralimp).

Essa espécie de raio-x do condomínio permitirá ao síndico dimensionar os esforços
necessários de limpeza, entre eles o tamanho da equipe de trabalho. “A partir do
momento em que você lista as atividades de limpeza que devem ser desempenhadas
no condomínio e suas frequências, você consegue elaborar um mapa, alocando
colaboradores para cada uma dessas atividades. Assim, é possível chegar em um
dimensionamento do número necessário de profissionais”, complementa Carlos
Eduardo.

Foi isso que fez Andreia Braga, síndica do Le Corbusier. Ao assumir a gestão do
condomínio de 62 unidades, no Leblon, ela implantou um sistema de limpeza. “Montei
duas agendas: a agenda A e a B, com tudo que deve ser feito para a limpeza da
unidade de segunda a sexta. Temos dois funcionários e, a cada semana, um fica
responsável por uma agenda. Assim, não fazem sempre o mesmo serviço”, conta.

Tipos de Limpeza
Outro passo importante é definir a frequência em que cada ambiente deve ser limpo.
Enquanto algumas áreas demandam cuidados diários, outras podem ser limpas com
um espaçamento maior de tempo. Os especialistas falam em três diferentes tipos de
limpeza: geral, de manutenção e conservação.

A geral, como o próprio nome sugere, é aquela que acontece quando toda a área
passa por uma limpeza completa. Ocorre, em especial, nos espaços de ampla
circulação comum, como halls de entrada, corredores e elevadores, e deve ser
realizada uma vez ao dia. Banheiros, saunas, salas de ginástica e aparelhos da
portaria, como telefones e interfones, também são exemplos de espaços que
demandam atenção diária. “A geral é uma limpeza precedida de alto grau de sujidade.
Existe um gasto maior de energia e tempo por parte do funcionário para fazer a
remoção da sujidade garantindo um espaço limpo e saudável”, destaca Maurício
Ramalho.

O segundo tipo é a limpeza de conservação. Ela visa manter o odor agradável e a boa
aparência das áreas comuns e, geralmente, é executada mais de uma vez por dia.
Exatamente por ter uma frequência maior, costuma ser mais superficial do que a geral.
O recolhimento periódico de lixo é um exemplo dessa categoria. “Na minha opinião, a
limpeza de conservação é a mais difícil de gerenciar, pois se trata de uma medida
preventiva. Muitas vezes, as pessoas não conseguem enxergar essa necessidade
pelo fato de o objeto ou espaço ainda não estar muito sujo”, opina Silvio Prado, do
Departamento de Marketing da Dr. Lava Tudo, empresa especializada em limpeza de
estofados, tapetes, carpetes, hidratação de couro e impermeabilização.

Por fim, há a limpeza de manutenção, diretamente ligada às manutenções preventivas
do condomínio, como lavagem de caixa d’água, filtragem das piscinas, limpeza da
fachada e dedetizações.

Na rotina do condomínio, é preciso estabelecer periodicidades de limpeza para
praticamente todas as áreas. Quadras, churrasqueiras, playgrounds e salão de jogos
devem receber faxina semanalmente. Já sala de máquinas, paredes e vidros da
portaria a cada 15 dias. Uma vez por mês, a atenção dos faxineiros deve se voltar
para garagens, janelas externas e calçadas. Por fim, a cada seis meses, é a vez de as
áreas estruturais, tubulações e superfícies altas, como o telhado, serem higienizadas.

Para organizar todo esse fluxo de trabalho sem deixar nenhuma área descoberta, uma
boa saída é utilizar uma planilha de limpeza do condomínio. Prático, o documento é
preenchido pelo síndico e, posteriormente, entregue aos faxineiros para ser usada
como guia. “O ideal é que a planilha contenha a listagem das áreas do condomínio,
quais atividades de limpeza devem ser realizadas nestas áreas, quais os horários as
limpezas devem ocorrer e qual a frequência destas limpezas. Outras informações
podem ser agregadas a esta planilha, entre elas quais materiais são utilizados na
limpeza e quais Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) precisam ser usados”,
destaca Carlos Eduardo Panzarin, da Abralimp.

“Reduzi o número de auxiliares de serviços gerais de três para dois e, mesmo assim, o
serviço ficou melhor, graças à planilha de limpeza. Nem preciso monitorar o trabalho
porque eles sabem exatamente o que tem de ser feito. Dou responsabilidades e
confiança e o resto acontece. Os moradores até me agradecem porque, de fato, o
condomínio é outro”, narra a gestora Andreia Braga.

Melhores Horários
Quem mora ou transita por condomínios sabe o quanto é desagradável querer acessar
o elevador enquanto ele está parado em um andar para limpeza. Quando não há
opção, muitos condôminos preferem ir de escadas a esperar o veículo. Para minimizar
esse tipo de contratempo, a gestão da limpeza da unidade deve estipular horários
específicos para a higienização de certas áreas.

Espaços muito utilizados pelos moradores devem ser limpos em horários de menor
movimento. Um bom momento de faxinar os concorridos elevadores, corredores, halls
e garagens, por exemplo, é no período vespertino, preferencialmente das 15h às 17h.
Se a academia e brinquedoteca funcionam até tarde, a preferência deve ser pela
higienização após o encerramento das atividades. Para piscinas e salões de festas,
que exigem uma dedicação maior da faxina, o ideal é fechar o espaço em um dia da

semana determinado, avisando aos usuários, via comunicado afixado no próprio local,
o período de interdição para limpeza.

Cada condomínio tem sua própria dinâmica e a gestão da limpeza deve respeitar isso.
“Passe a observar quais são os horários de pico, de maior circulação de gente no
prédio, e defina os melhores horários para a limpeza de prédio”, sublinha Silvio Prado,
da Dr. Lava Tudo.