Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2019

II Congresso APSA de Síndicos Profissionais

Mais de 3 mil profissionais participaram do II Congresso APSA de Síndicos Profissionais e Gestores de Propriedades Urbanas, mostrando que o síndico profissional veio para ficar e que o mercado continua em plena ascensão
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Mário Camelo

Mais de três mil síndicos e profissionais atuantes do setor de condomínios visitaram as instalações do Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de Janeiro, nos últimos dias 27 e 28 de novembro, durante o II Congresso APSA de Síndicos Profissionais e Gestores de Propriedades Urbanas. Este ano, a segunda edição do evento, aconteceu simultaneamente à Expo Síndico, a maior feira do setor, produzida pela RD7 Entretenimento. No total, foram mais de 60 expositores, além de palestras, novidades, networking e muito movimento entre os síndicos que compareceram. Os profissionais visitaram a feira à procura de melhorias para o dia a dia, dicas interessantes, novos fornecedores e tudo o que pudessem absorver para melhorar sua gestão.

De meio ambiente a questões sociais, passando pelas relações humanas. O congresso, esse ano, teve uma preocupação em trazer novas discussões, indo além dos temas rotineiros como dicas de gestão e liderança. Provocar a atenção dos síndicos para assuntos atuais e sociais, além de trazer aos profissionais atividades que mostrassem a importância do papel social do gestor foram alguns dos destaques. Hoje, mais do que um simples administrador, o síndico exerce influência direta não só no condomínio, mas também na comunidade e no bairro.

“As características das cidades vêm mudando e os conceitos de moradia vêm evoluindo em diversos aspectos. Nesse cenário, o síndico não é coadjuvante, ele é protagonista das mudanças. Os condomínios são maiores e mais importantes dentro do contexto urbano e o síndico precisa estar capacitado, antenado. Temos condomínios de mil unidades, por exemplo, no qual transitam cerca de quatro mil famílias diariamente, fora as pessoas que prestam serviço. Por isso, o síndico precisa ter uma visão multidisciplinar para contribuir com a sociedade em que vivemos”, diz o diretor superintendente da APSA, Fernando Schneider.

Uma das organizadoras do evento, Dil Melo, fundadora da RD7 Entretenimento e do Grupo Coruja, diz que a união do congresso da APSA com a Expo Síndico, mostra o quanto o mercado está em plena ascensão. “Ficamos muito felizes com a parceria e esperamos que seja longa. Isso elevou o nível do evento e trouxe grandes palestrantes para a plenária. Vimos um congresso cheio, com filas no credenciamento e sabemos que os síndicos profissionais têm essa necessidade de bons eventos e de capacitação”, diz ela, que já tem planos de levar eventos como esse para outros estados, ampliando ainda mais o mercado.

Presidente do Clube de Síndicos Profissionais, uma rede de parceria entre síndicos, Eli Antonelli esteve na mesa de abertura e comentou a importância da união dos gestores. “Os síndicos profissionais têm a necessidade de se unir para aprimorar sua atuação e compartilhar ideias, fornecedores e ações. E, além de capacitação, trazer o auxílio e o olhar de profissionais de outras áreas é muito importante”.

O congresso reforçou a consolidação desses profissionais no mercado de condomínios e o sucesso do programa Gestor de Propriedades Urbanas (GPU), a formação e rede de parceria oferecida pela APSA. Antes, apenas uma tendência de mercado. Hoje, uma realidade cada vez maior. Dados divulgados no evento pelo CEO do Síndiconet, Julio Paim, mostram que os síndicos profissionais já chegam a 8% no Rio de Janeiro e a 11% em São Paulo, de acordo com o Censo Síndiconet 2018, que reúne dados dos mais de 200 mil usuários ativos do site. Além disso, o estudo também mostra que 70% dos síndicos profissionais no Rio e em São Paulo são reeleitos. Ou seja, o modelo ganha cada vez mais aprovação.

“É um mercado que cresceu bastante dos últimos tempos para cá e a APSA investiu muito na formação e nas pessoas que querem entrar. Percebemos que os candidatos entravam no setor, mas havia a necessidade de ter um maior conhecimento técnico sobre várias questões que envolviam o condomínio. E assim surgiu o GPU, para suprir essa carência. Esse é o segundo encontro e estamos indo de vento em popa. Sempre com cursos lotados e com a necessidade de trazer mais assuntos e conhecimento para a pauta”, completa Jean Carvalho, gerente geral de condomínios da APSA.

Provocando reflexões

O II Congresso APSA de Síndicos Profissionais e Gestores de Propriedades Urbanas trouxe diversos e importantes temas para a discussão, sendo a segurança, o meio ambiente, as relações humanas e as questões sociais e de território os principais assuntos. “O síndico tem uma relação que vai muito além do profissional na sua gestão. O primeiro congresso apresentou o programa e tratou muito de liderança. Já esse ano, trouxemos uma ênfase maior às questões humanitárias e até filosóficas, mas sem deixar de lado os cases de sucesso do mercado e dicas de gestão”, afirma o diretor superintendente da APSA, Leonardo Schneider.

No dia 27, quem deu início às palestras foi o ex-capitão do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), Rodrigo Pimentel, que falou sobre segurança e também deu dicas para formar um time de elite. “Ser síndico é ser capitão. É preciso organizar o time para que eles possam se comprometer com o trabalho de equipe e atuar juntos para garantir não só a segurança, mas o bom funcionamento de tudo. No BOPE, nenhum companheiro fica para trás, no condomínio é o mesmo”, disse Pimentel, que também contou aos participantes um pouco de sua trajetória e o que o fez produzir e participar da série de filmes “Tropa de Elite”.

Já no segundo dia de evento, o premiado jornalista e uma das maiores referências em preservação ambiental, André Trigueiro, foi um dos palestrantes. Ele dividiu com os síndicos a sua expertise em processos de reciclagem, economia de recursos, reaproveitamento de espaços, e tantas outras ideias para a construção de “condomínios sustentáveis”.

“Encrenca é ser síndico de um prédio que não se preocupa com as questões ambientais. Hoje em dia, os síndicos têm que correr atrás do prejuízo. É preciso adaptar os condomínios e trazer novas soluções”, disse o jornalista, que se define como um “ecochato” e “biodesagradável”. “Historicamente, o setor da construção civil é um dos que mais poluem o planeta. No entanto, as construtoras vêm se preocupando com novas soluções para diminuir os impactos no meio ambiente e os síndicos também devem fazer esse movimento. Muitos julgam que dá trabalho, mas hoje existem tantas ferramentas disponíveis, é só se informar”, completa.

Trigueiro tirou as dúvidas dos participantes sobre telhados verdes, placas fotovoltaicas e geração de energia solar, e também deu dicas importantes de iniciativas de reciclagem e de reaproveitamento de resíduos. “Hoje existem aplicativos e cooperativas de catadores que vêm nos condomínios recolher o lixo reciclável. Existe compostagem, iluminação natural, coleta de água de chuva… O síndico precisa realmente tomar consciência de seu papel e buscar formas de transformar o edifício num local sustentável. E esse processo é contínuo”.

O jornalista ainda levantou questões corriqueiras do dia a dia dos condomínios, mostrando o quanto isso pode impactar no meio ambiente. Por exemplo, a clássica discussão de ter um jardim ou de abrir espaço para mais vagas nas áreas comuns. “Reduzir os jardins é perda de qualidade de vida. Aumenta os ruídos, aumenta a poluição e diminui as áreas permeáveis dos edifícios. Essa é uma das clássicas discussões, que, se tratadas em assembleia com clareza e com uma descrição de detalhes e consequências, pode mudar positivamente a rotina de um condomínio”.

Trazendo ao debate o relacionamento do condomínio com a comunidade e ações sociais, a ativista Cris dos Prazeres abriu as palestras do dia 28 mostrando o trabalho desenvolvido por ela na comunidade do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A comunidade é responsável por 1% do lixo reciclado da cidade do Rio de Janeiro, graças às suas iniciativas. Cris nasceu em Pernambuco e se mudou para o Rio de Janeiro aos 13 anos. Chegando ao Morro dos Prazeres, ela começou a desenvolver pequenos trabalhos voltados para promoção de saúde. Depois, foi além e passou a cuidar da reciclagem do lixo jogado diariamente nas encostas do morro. Assim, fundou o Grupo Proa (Prevenção Realizada com Amor), que existe desde 2000.

“A favela é um grande condomínio, mas não existe um bom administrador. Isso faz toda a diferença na realidade de qualquer comunidade, seja ela do asfalto ou não. No início, enfrentei muitas dificuldades para dialogar com o bairro e reunir as pessoas em prol de um objetivo, mas uma vez que o morador adquire a consciência de cidadão, um cidadão que recicla, que reutiliza, que cuida da cidade, que se preocupa com o seu ambiente, as coisas mudam. As pessoas têm uma necessidade de morar e, justamente por isso, devem cuidar do seu espaço”, diz.

Frances Correa, integrante do conselho de Administração da APSA e mediadora dos debates com Cris dos Prazeres e André Trigueiro, diz que a escolha dos temas foi estratégica e que a abordagem dessas questões faz com que os síndicos entendam a sua importância num contexto que vai muito além do condomínio. “Queremos provocar uma reflexão maior sobre o papel das administradoras e dos síndicos na sociedade. Ampliar o leque. Não estamos levando em conta apenas o universo do condomínio, mas a vida urbana. Os condomínios estão inseridos na cidade e como vamos interferir e contribuir nessa sociedade é o tema principal”, conclui.

Encerrando as palestras, o filósofo Alexandre Marques Cabral trouxe para a discussão um tema que nunca sairá de evidência quando o assunto é ser síndico: a convivência.  “Mediar conflitos e gerir relações entre pessoas é algo que nunca vai sair da pauta dos síndicos. É um grande desafio e também um dever de todo gestor. Muitas vezes é onde o síndico mais falha”, afirmou em sua palestra, que além de abordar as relações humanas e sua importância, trouxe exemplos de convivência e de socialização.

Premiação

Encerrando o encontro, a APSA premiou o gestor de propriedade urbana que mais se destacou no programa, desde o seu lançamento há um ano. Acompanhando a forte tendência do mercado pela contratação de síndicos, a APSA lançou em 2017 o programa Gestor de Propriedades Urbanas, o GPU, que disponibiliza a “chancela APSA” de qualidade a todos os síndicos profissionais ou aspirantes ao mercado que queiram melhorar suas competências.

Os gestores Juliana e Rafael Furtado foram laureados com o prêmio. Irmãos, os dois abandonaram seus ofícios para se tornarem síndicos profissionais no ano passado. Tudo começou quando a arquiteta Juliana assumiu o posto de síndica do condomínio em que vivia, quando viu que as contas não estavam fechando. Ela trouxe soluções e novos processos ao prédio. Incentivada pela APSA, a arquiteta, que gerenciava obras, aderiu à primeira turma do GPU e viu a possibilidade de transformar o que já fazia com a gestão do seu condomínio em seu negócio principal. Juliana convidou o irmão e engenheiro Rafael, que já tinha experiência em manutenção predial, para assumir a tarefa ao seu lado. Hoje, os dois formam um time e administram seis condomínios. “Fizemos o GPU I e depois o GPU II, mas não entendíamos que isso poderia ser uma ocupação oficial. Fomos percebendo com o tempo. Ao final do programa, a APSA nos convidou para fazermos algumas parcerias e, aos poucos, fomos crescendo e abrindo a nossa própria empresa”, comenta Juliana.

“Nós nos completamos, fazemos uma parceria de gestão e estamos muito felizes com o prêmio. É um reconhecimento do nosso trabalho”, completa Rafael. Os profissionais, atualmente, investem em capacitação para crescer ainda mais e ampliar sua cartela de clientes.

O gerente de negócios da APSA, Edgar Poschetzky, adianta quais são os próximos passos do programa GPU e do cenário dos síndicos profissionais. “Já tivemos várias turmas de formação. O GPU, para nós, foi um lançamento de muito sucesso. As duas edições dos congressos tiveram inscrições esgotadas e já estamos preparando uma terceira edição para maio, em Salvador. Vamos levar o projeto a outras cidades. Essa é a certificação de que o síndico profissional e o gestor de propriedade urbana são uma realidade. O mercado cada vez mais busca conhecimento e, como a maior empresa do mercado imobiliário, esse é o nosso maior desafio: apoiar e capacitar esses profissionais em todo o país”, conclui.