Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 2018

Bom para pais e filhos

Em alta no mercado, condomínios com áreas de lazer para adolescentes permitem diversão
segura e vida social aos jovens Continue lendo

espaco teen
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Gabriel Menezes

Em tempos de alta na criminalidade das grandes cidades, condomínios que possuem áreas
de lazer para a família têm os seus imóveis altamente valorizados no mercado. Os
adolescentes, por exemplo, vêm ganhando, cada vez mais, áreas voltadas especialmente
para eles, equipadas com videogames de última geração, jogos clássicos como sinuca e
totó, e os mais variados tipos de entretenimento. Além de garantir a tranquilidade dos
responsáveis, que sabem que os seus filhos estão em se divertindo com segurança, esses
ambientes ajudam os jovens a criar laços sociais com os seus vizinhos, com quem passam
a conviver mais frequentemente.
Com ampla experiência nesta área, a arquiteta Manuela Guida diz que a demanda neste
segmento vem crescendo bastante na última década, e, atualmente, o condomínio ter ou
não uma área voltada para o entretenimento dos jovens pode ser um fator determinante
para a decisão de compra de um imóvel. "Além da segurança oferecida pelos condomínios
e a comodidade de não precisar sair de casa, o crescimento da oferta de apartamentos
cada vez menores também contribui para a diversificação de espaços de lazer. Na maioria
das vezes, os itens de lazer são prioridade na escolha de um imóvel. Os pais querem ver
sempre os seus filhos felizes. Já os jovens querem uma área para interagir com outros
jovens. Se não houver no condomínio, eles, com certeza, vão querer ir para a rua, o que
nos dias de hoje é sempre um motivo de preocupação para os mais velhos", afirma
Manuela.
Ela destaca que criar ambientes separados para jovens e crianças minimiza as chances de
conflitos entre os vizinhos. "Os jovens e as crianças têm muita energia, fazem barulho e
correm. Muitas vezes, os mais velhos, principalmente aqueles que não têm filhos, ficam
incomodados. Então, é importante criar esse espaço em que eles possam se divertir sem a
preocupação de estar incomodando ou não", afirma a arquiteta.

Ela ressalta que esses ambientes exigem alguns cuidados básicos, como verificar com
frequência se a parte estrutural oferece segurança. Uma mesa de sinuca colocada próxima
a uma de totó, por exemplo, pode fazer com os jovens deem esbarrões e se machuquem.
Além disso, a higiene do ambiente é fator importante. Caso o piso seja de tatames de
borracha, uma boa dica é criar a regra dos usuários tirarem os tênis antes de acessar o
local.
"A acústica é outro fator de preocupação, justamente pelo fato dos jovens produzirem
barulho. Eles precisam se divertir sem a preocupação de falar baixo ou comemorar uma
vitória num jogo de forma silenciosa. A arquitetura oferece, atualmente, excelentes opções
de isolamento acústico, que cabem no bolso do cliente e são bastante eficazes. Outra dica
que costumo dar para meus clientes é, sempre que possível, integrar as áreas de
entretenimento teen com áreas externas, como piscinas, churrasqueiras e fornos para fazer
pizzas. Dessa forma, a diversão dos adolescentes estará completa", diz Manuela.

Regras são importantes para evitar brigas entre vizinhos
Quando o assunto é área de lazer para adolescentes, cabe ao síndico garantir o uso
sustentável e harmônico dos espaços para evitar que a diversão se transforme em
aborrecimento. Para isso, é essencial o estabelecimento de regras de uso. O Condomínio
Vernissage, no Pechincha – administrado pela APSA –, por exemplo, conta com três locais
de lazer que podem ser utilizados pelos adolescentes: salão de festas teen, salão jogos
teen e arena sport. O primeiro é utilizado para confraternizações, como festas de
aniversários ou encontro de amigos da escola. Já o segundo, possui videogames e jogos
como dardos, totó e hóckey de mesa. No terceiro, os jovens podem reunir-se para assistir
partidas de futebol, luta livre ou filmes.
O uso dos espaços é acompanhado de perto pelo síndico, Raul Santos. "Cada um dos
espaços tem as suas regras definidas. Dessa forma, evitamos que os moradores entrem em
conflitos e também garantimos a preservação do patrimônio do condomínio, que no final das
contas é de todo mundo. As salas são equipadas com equipamentos caros, como
videogames e televisões modernas, então precisamos garantir que tudo esteja sendo usado
com o devido cuidado", afirma.
Na arena sport, por exemplo, o primeiro morador – ou o seu responsável – que solicita o
espaço para determinado horário deverá responder pela sua utilização. Da mesma forma,
ele ganha o direito de escolher o que vai passar na TV. Por exemplo, se neste mesmo
horário estiver passando uma partida de futebol e uma luta de MMA, a decisão do que

assistir será dele. "O condômino responsável pelo uso fica obrigado também a indenizar os
danos causados pelo mau uso do local e a manter a ordem, devendo coibir as condutas
inconvenientes que se originem de brigas, balbúrdias, gritarias, palavras de baixo calão. Os
temas e assuntos de filmes, shows e outros programas deverão ser, cuidadosamente,
selecionados de forma a não violar a ética, as normas, e as instituições nacionais", explica o
síndico.
Já a requisição para o uso da sala de jogos teen e o salão de festas deverá ser feita sempre
pelos responsáveis da unidade autônoma. O condômino interessado em jogar, deve retirar
as chaves junto à portaria, responsabilizando-se pelo perfeito estado da sala e dos
equipamentos do espaço, tendo ainda a responsabilidade de devolver as chaves à portaria
ou ao funcionário de plantão. Caso outros condôminos cheguem para utilizar o salão de
jogos, o condômino passará a chave para os que permanecerem no local, comunicando
imediatamente à portaria a transferência da responsabilidade. "Em caso de danos em
aparelhos, o morador deverá repor o equipamento no menor prazo possível. Os custos
serão cobrados do condômino infrator, junto com a sua respectiva taxa condominial do mês
seguinte ao ocorrido. As bolas de totó e de sinuca, os discos do hóckey e o controle da TV
deverão ser retirados junto a um funcionário do Condomínio", explica Santos.
Ele ressalta que, por motivos de segurança dos usuários, em qualquer horário ou
condições, é expressamente proibido fumar e permanecer com garrafas e copos de vidro,
ou quaisquer outros objetos cortantes nas salas. Além do mais, as portas de entrada dos
salões deverão permanecer fechadas evitando-se o desperdício de energia e o barulho
excessivo.

Competições para estimular a interação
O Condomínio Reserva Botafogo – também administrado pela APSA – é outro que possui
uma sala de jogos voltada para os adolescentes. O ambiente conta com mesas de pingue-
pongue, totó e air game (uma espécie de hóquei de mesa). De acordo com a síndica, Leda
Rocha, a administração está planejando a realização de campeonatos entre os moradores
para estimular o uso do espaço e aumentar a interações ente os vizinhos. "A sala de jogos
dos adolescentes ainda é pouco usada, geralmente apenas nos dias de festas, por isso
estamos estudando projetos como as competições para estimular esse uso", conta Leda.
Ela explica que o uso do espaço é feito por meio de regras informais, já que o regulamento
interno oficial ainda não está pronto. "Ainda não temos o regulamento interno, mas as
regras de silêncio devem ser obedecidas. Prezamos sempre pelo bom senso e, quando

estragam algum equipamento, enviamos comunicados a todos os condôminos informando o
acontecido", destaca Leda.
Segundo ela, o cuidado feito atualmente pela administração do condomínio é de manter a
sala de jogos fechada e, quando um morador pede para usar, a chave é entregue e os seus
dados, como o número do apartamento, são anotados. "Também estamos instalando
câmeras em todos esses espaços de forma a coibir qualquer vandalismo", explica a síndica,
ressaltando que a manutenção do espaço é feita semanalmente, sempre às segundas-
feiras.