Rio de Janeiro, 10 de março de 2017

Cidade em duas rodas

Desafogam o trânsito, são ecológicas e ainda ajudam a se exercitar: as bicicletas já são mania nas grandes cidades e os condomínios precisam pensar nisso Continue lendo

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Juliana Marques

Seja para passear no final de semana, fazer exercício ou se locomover até o trabalho, o uso das bicicletas está cada vez mais em alta nas grandes cidades. Motivos para isso não faltam: praticidade, baixo custo, prática de atividade física ou preocupação ambiental são apenas alguns. Esse veículo tem, cada vez mais, caído nas graças dos moradores do Rio de Janeiro e não como coloca essa notícia para baixo do tapete.

Diante do número de adeptos e da constante discussão sobre a melhoria na mobilidade urbana, o poder público tem adotado algumas medidas que privilegiam esse meio de transporte, e o reflexo desse panorama já vai, aos poucos, sendo notado pelos condomínios residenciais.

Com o aumento desse tipo de demanda a cada ano muitos empreendimentos têm se preocupado em oferecer um espaço adequado para a guarda desse meio de locomoção, por isso, grande parte dos projetos atuais já contemplam um local destinado à instalação de um bicicletário, investindo mais em espaços apropriados para o trânsito de bicicletas e na ampliação de estruturas que apoiem o uso delas.

Em algumas cidades como São Paulo, por exemplo, os novos condomínios já são obrigados, por leis municipais, a contarem com espaços destinados a bicicletários, os prédios residenciais e comerciais na cidade devem reservar até 10% das vagas para estacionamento de bicicletas. Mas, como no Rio de Janeiro leis como essas ainda não foram implementadas, cabe ao condomínio optar por este tipo de comodidade aos moradores usuários de bicicletas, além de evitar possíveis transtornos com o estacionamento dos veículos em lugares inapropriados.

Nos condomínios mais antigos, onde nunca existiu um espaço como este é necessário convocar uma assembleia para discutir o assunto antes da implementação de um bicicletário, pois dependendo do local pode ser necessário fazer algum tipo de obra. De qualquer forma, é importante que os condomínios nessa situação busquem soluções para abrigar as bicicletas. Uma reunião com os condôminos para opinar sobre o tema, por exemplo, é uma opção. O quórum necessário para a benfeitoria, porém, varia entre a maioria simples dos presentes – quando nenhuma área comum do condomínio será alterada – para dois terços dos condôminos, se houver a necessidade de mudar uma área comum. Essa aprovação de 2/3 serve para realizar a adequação da convenção. Uma sugestão é fazer constar em assembleia um período de teste para a implantação do bicicletário.

Já em condomínios mais novos, mas que ainda não possuem um local destinado para o armazenamento de bicicletas, a maior dificuldade para a criação de um bicicletário pode ser a falta de espaço. Como boa parte dos condomínios veta o uso da garagem para a guarda das bicicletas, os moradores veem a necessidade de deixar a bicicleta dentro das unidades, porém, em muitos casos o condomínio não tem lugar onde caiba pelo menos uma bicicleta por unidade, daí a necessidade de encontrar um local adequado. No entanto, mesmo com pouco espaço é possível dar uma destinação para os veículos de duas rodas.

O condomínio Piazza Verde, em Botafogo, dispõe de um local adequado para o armazenamento das bicicletas dos moradores. Segundo o síndico, Eduardo Raia, cerca de 20% dos moradores utilizam o espaço com frequência. “Notamos que os moradores estavam com grandes dificuldades em guardar as bikes em seus apartamentos, gerando um grande transtorno nas residências. ”

Tipos de bicicletários

Entre os principais benefícios do bicicletário, está a possibilidade de organizar a disposição das bicicletas, principalmente nas garagens, além da facilidade de acesso do usuário. Vendidas em módulos, em versões para parede, solo e teto, as peças podem ser facilmente adaptadas aos espaços disponíveis nos condomínios. Os modelos de chão podem ter diversas formas e são mais em conta.  Seu ponto fraco é ocupar mais espaço do que os de parede, que são mais caros, mas economizam mais no quesito espaço.

Há diversas opções no mercado para condomínios. Aqueles onde realmente não há espaço podem optar por ganchos nas paredes da garagem. Nesse caso, é importante padronizar o gancho, para ficar uniforme. Para quem tiver um pouco mais de espaço, vale investir nos bicicletários de chão, o custo não é elevado, há modelos simples, que guardam até 10 bicicletas, por R$700, em média no mercado, um investimento de custo bai­xo, mas com alto retorno de satisfação.

O representante de uma empresa especializada, Fernando Freitas, afirma que a demanda de condomínios por bicicletários aumenta a cada ano. “Vendemos muitos ganchos e bicicletários de parede, que economizam mais espaço, porém visualmente não são tão bonitos do ponto de vista estético. Se o local tiver espaço o ideal é instalar um produto de chão, além de mais organizado, é mais fácil de estacionar. “

Regras para evitar problemas

Como em qualquer área comum do condomínio, o bicicletário deve ter suas regras. A criação de um regulamento específico para o local, definindo regras e responsabilidades, e com aprovação em assembleia (maioria simples), pode evitar futuros transtornos, como a utilização incorreta de outros espaços para guardar as bicicletas. O ideal é o uso de tags nas bicicletas, que mostrem a que unidade e bloco pertencem. Também é recomendável que todas elas estejam trancadas com cadeado. “Aqui no condomínio todas as bicicletas devem estar cadastradas e identificadas com lacres numerados e presas com cadeados”, afirma o síndico do condomínio Piazza Verde.

Mesmo com essa identificação, sugere-se que a cada seis meses o condomínio faça uma campanha de recadastramento das bicicletas, evitando assim que equipamentos velhos de moradores que já se mudaram ocupem o espaço que poderia abrigar outra bicicleta. Importante lembrar que o condomínio não é o responsável por danos ou furtos das bicicletas, apenas por ter um local para o seu armazenamento. Essa responsabilidade só é passada ao condomínio caso o local seja trancado e que apenas um funcionário fique com a chave, caso contrário, cada morador é responsável pela sua própria bicicleta.

 

Principais pontos a serem considerados antes da instalação

- Localização: a localização da área para estacionar ou guardar bicicletas é absolutamente crítica ao seu sucesso. O estacionamento para bicicletas não deve ficar escondido nos fundos dos edifícios ou num canto afastado do estacionamento de automóveis, pois devem oferecer clara vantagem sobre o estacionamento dos carros;

- Quantidade de vagas: a maneira ideal de determinar a demanda por vagas para bicicletas é pesquisar todos os atuais, assim como os potenciais usuários dentro do condomínio. Levando em consideração que este número pode aumentar;

- Tipo de bicicletário: o projeto do suporte tem que garantir tranquilidade e confiança. O produto deve ser de fácil acesso, facilitar o uso de travas tipo ‘U’ ou de cadeados/correntes comuns, e deve fornecer apoio para a bicicleta inteira, permitindo que o quadro e as rodas sejam presos de tal maneira que agrade o usuário;

- Preço: o custo do bicicletário varia conforme o produto, o projeto e condição do local. É importante levar para a votação dos moradores pelo menos três orçamentos para serem validados.