Rio de Janeiro, 16 de setembro de 2016

A primavera está no ar

Trazendo o colorido e o perfume das flores para o seu condomínio Continue lendo

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Juliana Almeida

Dentro de pouco tempo uma nova estação dará o ar da graça. Mas o seu condomínio está preparado para receber a primavera? Se ainda não, o primeiro passo é preparar seu jardim para acolher a época mais florida do ano!

Entre os vários motivos que alguém pode ter para se decidir em morar em um condomínio, com certeza, a vontade de viver num ambiente tranquilo, bonito e confortável estão no topo da lista. E quando falamos em beleza, o principal diferencial é a decoração, o paisagismo, todo o conceito visual do ambiente. Nada mais atraente do que uma recepção ou um hall bem decorado com flores, plantas, objetos harmônicos e de muito bom gosto, certo?!

Como a estação das flores se aproxima é hora de escolher boas espécies para o seu condomínio ou mesmo fazer aquela manutenção especial. Isso porque, após o frio intenso do inverno, mesmo com cuidados especiais, os jardins podem ficar prejudicados. O ideal é procurar um profissional especializado no assunto para preparar o local com todo o profissionalismo que ele merece.

Segundo a paisagista Regina Vieira, normalmente a poda é feita no outono, quando as plantas estão repousando. ”Dependendo da espécie, se a poda for feita no início da primavera, perde-se o espetáculo de ver a planta florida”, explica. Uma dica importante, caso você ainda não tenha cumprido essa tarefa antes, já que a magia da primavera começa a acontecer a partir do dia 22 de setembro.

A natureza realmente é incrível em qualquer época do ano, mais ainda durante a primavera, quando as flores geralmente trazem ainda mais beleza a esses espaços. A estação é perfeita para fazer um jardim externo, por exemplo, mas se o condomínio não tem nenhum local ao ar livre para isso, é possível trazer a beleza das flores para as áreas internas. Muitas pessoas têm dúvidas sobre o tratamento das plantas e quais espécies são indicadas. Ter um jardim florido e bem cuidado é muito prazeroso, porém, realmente exige cuidado contínuo, investimento em adubo, controle de pragas, além de um profissional qualificado para cuidar periodicamente das plantinhas.

Para Regina, um bom projeto de paisagismo articula cores e volumes diferenciados em relação às diversas espécies de vegetação, além de combinar o plantio de árvore, gramínea, flores e trepadeiras dos tipos mais adequados para cada ambiente. Para quem deseja investir neste espaço existem tipos de plantas específicas que se adaptam facilmente ao ambiente e à estação. O projeto deve viabilizar o desenvolvimento das espécies com harmonia, bem-estar e conforto para todos os moradores, recomenda a paisagista.

De outro modo, ele não pode trazer problemas extras aos síndicos, como danos ao sistema de impermeabilização, por exemplo. “Os síndicos devem primeiro providenciar uma análise do solo nas áreas de jardins a cada cinco anos, para que os nutrientes e o pH sejam mantidos em equilíbrio. Após esta análise, entram as correções necessárias, permitindo o bom desenvolvimento das espécies implantadas no local, em seguida vem a correção do solo e aí sim a escolha da vegetação”, explica Regina.

Eduardo Perrot, síndico do condomínio Eliane, em Vila Isabel, alerta que uma das principais preocupações que o síndico deve ter é com a manutenção do jardim: “o projeto deve ser bem elaborado com plantio e manejo de espécies que não afetem tubulações vitais ao prédio, como os de água, gás e energia. Árvores plantadas perto destas podem causar transtornos ao condomínio futuramente, como exemplo, rompimento das tubulações pelas raízes.”

Já para Vagner Santana Martins, gestor de condomínio no Península Style, na Barra da Tijuca, a atenção é tanta que é imprescindível a contratação de um profissional ou empresa especializada para avaliar a área: “um profissional de paisagismo deve ser contratado a fim de lhe prestar a consultoria necessária. As maiores preocupações dizem respeito a observar e manter, na medida do possível, as espécies de vegetação da região. ”

Outra questão apontada por ambos os síndicos e que também chama a atenção é a proliferação de insetos nesses locais. “Devemos também atentar para o controle de insetos, pois algumas espécies propiciam a propagação de mosquitos que podem vir a contribuir para o contágio de doenças”, lembra Vagner.

No início da primavera é indicado evitar espécies com folhas delicadas, como é o caso das tropicais, que são mais sensíveis às variações climáticas. Elas estarão na primavera com suas folhas queimadas, com manchas e em alguns casos demoram meses para se recuperarem. Durante a primavera, é necessário procurar por espécies rústicas e mais resistentes, como é o caso da Azaleia, Iris azul, Ixora e Lavanda. Essas espécies resistem muito bem aos meses frios e estarão lindas na primavera.

As azaleias, por exemplo, que florescem durante o inverno, podem ser podadas para que tenham mais força no ano seguinte. O tipo de poda vai depender da finalidade para a qual você está cultivando. A regra geral, segundo Regina, é observar o tamanho da planta. As Azaleias, por exemplo, quase não se podam, pois têm um crescimento moderado. “Em algumas plantas deve-se cortar os galhos novos, em outras os galhos velhos”, sugere. Por exemplo: se você quer uma espécie de arvoreta, deve ir eliminando os ramos laterais, que crescem junto com o caule principal, dando um acabamento arredondado na parte de cima. Se você podar o caule principal em uma altura desejada para que ele produza mais brotos laterais, terá um arbusto mais cheio e compacto. Já no final da primavera certas espécies já estarão revigoradas e florescendo muito bem, como é o caso das Impatiens, Margaridas, Gardênia, dentre outras.

Por falar em poda, este é um dos aspectos mais importantes durante a primavera. Nesta época do ano, quando as espécies estão florescendo, elas precisam de cuidados especiais, como a rega constante e adubação adequada para cada tipo de espécie, ainda assim, leva algum tempo para que um jardim fique bonito e bem formado. O primeiro passo é trocar de vaso e replantar as plantas que estiverem precisando de mais espaço. Lembre-se que a estação é a melhor para o plantio. Então, é o momento ideal para montar novos canteiros e jardineiras, verificando se as espécies escolhidas são adequadas às condições do local. A época também é boa para adubar a terra e enriquecê-la com nutrientes que trarão folhas e flores mais fortes. Mas, cuidado: observe quais são as plantas que decoram seu jardim.

Uma espécie que floresce em ambiente interno e quase o ano todo é o Antúrio e sua variedade “mini”, por ser mais delicada e menor. Para quem prefere não se preocupar, por causa da correria do dia a dia, nem mesmo com a rega das plantas, a melhor opção é contratar arranjos florais em empresas especializadas que fornecem os arranjos e os substituem periodicamente. Já aqueles que buscam praticidade e custo zero de manutenção, plantas artificiais podem ser uma boa opção. O síndico Eduardo Perrot ainda dá uma dica: “se o síndico não dispor de uma receita que lhe dê uma sobra para compra de espécies ou contratação de alguém para cuidar do jardim, sempre é bom conversar com moradores para negociar uma doação ou até mesmo cuidados do jardim voluntariamente pelos próprios”.

Para a paisagista Regina Vieira, a riqueza de um projeto de paisagismo para prédios e condomínios está na sutileza da mistura de elementos sem gerar poluição visual: “é muito interessante o trabalho que se pode realizar despertando todos os sentidos através da vegetação, como a visão através das cores e formas, o olfato através do aroma das flores e a audição através dos sons dos pássaros que são atraídos pelas flores e frutas, é incrível”, destaca Regina.

O síndico do condomínio Eliane tem o mesmo ponto de vista: “os jardins são bons para uma boa ambientação e valorização de um condomínio. Um bom projeto paisagístico dá vida aos condomínios. Diversificar o plantio, misturando espécies com tonalidades diferentes harmoniza uma entrada de prédio”, acredita Eduardo.

 

Dúvidas mais comuns sobre decoração e paisagismo

Com a ajuda da paisagista Regina Vieira, destacamos as dúvidas mais comuns na hora de pensar em um projeto de paisagismo para o seu condomínio, veja as abaixo as dicas da especialista sobre as espécies mais adequadas para cada ambiente.

1-    Para as jardineiras externas e de fachadas, quais as espécies mais indicadas?

Jasmin amarelo, Russélia ou Gerânio pendente. Se a jardineira estiver em uma área comum do condomínio, poderá receber temperos que poderão ser distribuídos e consumidos pelos próprios moradores.

2-    E para jardineiras internas, instaladas abaixo de marquises, por exemplo?

Vai depender dos raios solares que o local recebe, se é sombra ou meia sombra. Para meia sombra, recomenda-se o Lírio da Paz e Antúrios, por exemplo. Já para a sombra, Filodendros em geral.

3-    Nas áreas externas, mas em locais que recebam pouco sol, quais as espécies mais indicadas?

Para estes locais, forrações e arbustos para sombra ou meia sombra, como já citados. Nos canteiros, deve-se ter cuidado com “as misturas”, evitando instalar na sombra plantas que gostam de sol ou vice-versa.

4-    Como combater ervas daninhas e/ou possíveis pragas, com produto químico ou com manejo do jardineiro?

A retirada frequente de ervas daninhas faz parte do serviço de manutenção de qualquer jardim, para que as mesmas não contaminem o canteiro. O uso de química é recomendado somente em casos onde a contaminação saiu do controle.

5-    O que faz de um jardim o ideal? Uma combinação de plantas de pequeno e grande porte, com flores mais rasteiras e gramíneas? Existe um “modelo básico”?

O jardim ideal sempre será aquele que estiver mais adequado com as condições do espaço e o desejo do síndico. Um projeto de paisagismo bem planejado deve contemplar boa espécies de plantas e flores, um solo bem cuidado e adubado, além da manutenção constante, para que não se transforme em um canteiro mal cuidado. Cores e volumes, por exemplo, ajudam a enriquecer a paisagem e trabalham com os sentidos humanos da melhor forma possível, ou seja, com texturas, volume, cores e formas bem harmonizadas para proporcionar um espaço bonito e agradável aos olhos dos moradores.