Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2015

S.O.S.: condomínio pronto para emergências

É dever do síndico manter funcionários treinados e capacitados para agir em casos extremos Continue lendo

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Texto: Aline Durães 

Como qualquer local marcado pelo trânsito intenso e quase ininterrupto de pessoas, o condomínio está suscetível a emergências de todo tipo e, para lidar com elas, sorte não basta: é necessária uma resposta ágil e correta.

Existe hoje à disposição dos síndicos e gestores condominiais uma série de cursos e programações que visam qualificar os funcionários não só para agir em casos extremos como também para prevenir incidentes e acidentes. “Nenhum acidente acontece por acaso. Logo, o foco deve estar nas suas causas. Nos cursos, demonstramos o valor individual de cada tarefa e atividades desenvolvidas no condomínio, suas minúcias, tendo como foco o desenvolvimento de um senso crítico por parte do aluno. Dessa forma, ele consegue identificar desvios, perigos e riscos, culminando no incentivo ao desenvolvimento constante da cultura preventiva no seu condomínio”, explica José Pedro de Assis Jr., Técnico em Segurança do Trabalho e facilitador do Sindicato de Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio).

Janaína Sobrinho, síndica do Esther Rotnes, condomínio com 10 unidades no Recreio, inscreveu seu único funcionário em um desses cursos. Hoje, sente mais segurança no trabalho do colaborador. “As vantagens da qualificação ocorrem em relação à segurança. Um funcionário com conhecimento vai saber sair de qualquer situação que possa comprometer a integridade de todos nós”, destaca.

Uma aliada chamada CIPA

Uma das formas mais eficazes de proteger o condomínio contra acidentes, principalmente os ligados ao trabalho, e resolver as emergências em tempo hábil é por meio da Comissão Interna de Proteção de Acidentes, a CIPA.

A formação da CIPA é prevista em lei e obrigatória para condomínios com mais de 51 funcionários. O objetivo da comissão, formada por empregados representantes do empregador e também por representantes dos funcionários eleitos, é identificar riscos, buscando soluções prévias e afastando, assim, os problemas de segurança e doenças decorrentes do trabalho.

Regulamentada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Norma Regulamentadora Número 5 (NR-5) do Ministério do Trabalho, a CIPA funciona com reuniões mensais realizadas durante o expediente. Nesses encontros, os colaboradores monitoram as situações cotidianas e planejam medidas que agreguem mais segurança ao trabalho. Caso algum risco seja identificado no intervalo das reuniões, a CIPA pode ser convocada em caráter de urgência.

Se o condomínio possui menos de 51 funcionários, não é imperiosa a formação da CIPA, mas a lei determina ao síndico enviar um funcionário de sua escolha, anualmente, para um curso de 20 horas de capacitação sobre o tema. “Os colaboradores que mais se adaptam nos cursos e conseguem executar suas funções com excelência nos condomínios são os possuem liderança pessoal independente do cargo. O síndico deve optar por esse perfil de funcionário na hora de indicar à capacitação”, sugere Fábio Brodsky, técnico em Segurança do Trabalho. A APSA também oferece esse tipo de treinamento para os funcionários dos condomínios administrados por ela. Para saber mais detalhes sobre essa programação, o síndico deve consultar o seu gerente de contas.

Caso o gestor negligencie a legislação, será passível de multa que varia de 1.129 a 3.284 UFIR (Unidade Fiscal de Referência que, em 2014, equivale a R$ 2,54 por unidade), além de responder civil e criminalmente no caso de processos trabalhistas. Já o condomínio poderá ser autuado durante as fiscalizações do Ministério do Trabalho.

Antes de tudo, a prevenção

Seja com a CIPA ou com apenas um colaborador capacitado, a prevenção é a melhor saída para o condomínio que não quer ser surpreendido por emergências. Até porque boa parte delas pode ser mitigada antes de atingir níveis preocupantes à segurança condominial.

O ideal é que a unidade passe por vistorias regulares. Não só em suas áreas externas e comuns, mas também nos apartamentos. Elevadores, portas corta-fogo, escadas, corrimãos, extintores e mangueiras devem ser checados periodicamente, assim como as instalações elétricas. A caixa de água requer limpeza a cada seis meses. A condição dos pisos, janelas e portas, em especial das áreas de piscina, playground, hall de entrada e salão de festas, exige especial atenção. Outros itens que não podem ser ignorados são a casa de máquinas do condomínio e a caixa de luz geral e de emergência.

Cada um desses espaços oferece riscos em potencial a funcionários, síndico e condôminos. E, mesmo que respeitada, a vistoria do funcionário não exclui a necessidade de revisão empreendida por técnicos habilitados. Somente esses profissionais são capazes de apontar, com mais propriedade e conhecimento de causa, defeitos e problemas que, se não resolvidos em tempo, podem gerar infortúnios ao condomínio. “Nos condomínios, podem ocorrer desde quedas e escorregões a princípios de incêndios. Instalações elétricas e de gás podem ser alvo de acidentes graves, como incêndios e explosões. Mesmo as obras de manutenção, como reformas e pinturas, demandam uma série de cuidados a fim de prevenir danos à instalação, lesões aos trabalhadores envolvidos, também aos moradores e aos pedestres em vias públicas. Por isso, as edificações necessitam de manutenção corretiva e preventiva.”, afirma José Pedro.

No Esther de Rotnes, a inspeção periódica é lei. “São feitas regularmente vistorias no condomínio para saber se é necessário alguma obra ou reparo que, se não efetuado, venha a causar acidente. Além disso, seguimos à risca todos os prazos para manutenção de equipamentos de incêndio, água, luz e gás”, observa a gestora Janaína Sobrinho.

O trabalho de prevenção passa também pela conscientização dos condôminos. Dependendo de suas ações, eles contribuem para acelerar ou evitar a ocorrência de emergências na unidade. Evitar jogar guimbas de cigarro pela janela, usar com responsabilidade os elevadores e outros equipamentos do condomínio e não realizar obras sem o conhecimento do síndico são medidas que devem ser pontuadas. Da mesma forma, é preciso que o morador saiba da importância de manter a velocidade do carro reduzida no trajeto até o portão e de orientar seus filhos sobre como agirem em garagens e escadas.

Tenha um plano de contingência

O tempo decorrido entre o início da situação emergencial e o socorro faz toda diferença. Pode salvar vidas, inclusive. Daí a importância de o condomínio elaborar um plano de contingência com o mapeamento dos principais riscos a que está submetida a unidade e as respectivas ações que devem ser adotadas caso algum deles se efetive.

A prática de antever respostas às crises já vem sendo adotada há muito tempo e por importantes corporações. A Marinha dos Estados Unidos, por exemplo, disponibiliza um manual de contingência, no qual defende que “o planejamento em situações críticas é a ação de visualizar uma situação final desejada e determinar meios efetivos para concretizar esta situação, auxiliando o tomador de decisão em ambientes incertos delimitados pelo tempo”. Então por que não aproveitar essa ferramenta de sucesso no condomínio?

Para ser efetivo, o plano de contingência lista hipóteses de emergência específicas e atribui procedimentos-chave para cada um dos cenários. Ele deve descrever como as pessoas serão protegidas durante essas emergências. É importante também especificar quais equipamentos, instalações e outros recursos serão mobilizados para a resposta às emergências e os responsáveis por cada etapa da solução da emergência.

A formatação do documento precisa ser elaborada de tal forma que facilite ao usuário encontrar as informações necessárias em um estado emocional alterado, sob pressão, durante as emergências inesperadas. Da mesma forma, é importante que o arquivo seja constantemente revisado e aberto a novas inserções que garantam sua efetividade ao longo do tempo. “Antecipar-se a uma emergência, prevenir acidentes e buscar viver bem são provas de dedicação e amor ao que se faz. Logo, a gestão de um condomínio é algo muito valioso. Gerir bem um condomínio não é uma escolha, na minha opinião é valor”, conclui o técnico em Segurança do Trabalho, José Pedro.

 

Saiba como agir em uma emergência

Por mais preparado que esteja o condomínio, nem todos os incidentes podem ser evitados. Se não é possível prevenir, a unidade deve estar pronta para remediar. Nesse sentido, torna-se importante síndico e funcionários saberem como agir para evitar que o incidente tome proporções mais graves à saúde do condômino. Abaixo, você encontra dicas de como lidar com os casos mais comuns de emergências condominiais:

  • Desmaios: deite o desmaiado no chão, elevando suas pernas em relação ao resto do corpo para facilitar a circulação de sangue para o cérebro. Afrouxe as roupas e ventile o ambiente. Assim que ele recobrar a consciência, ofereça um copo de água com açúcar.
  • Engasgos: quando algum objeto estranho, vômito ou mesmo sangue obstruir a traqueia de alguém no condomínio, enlace a vítima com os braços em volta do abdômen, pressionando-a contra suas mãos, como se quisesse levantar a vítima do chão.
  • Convulsão: afaste objetos para evitar que a vítima se machuque. Segure sua cabeça, colocando almofadas para que não ocorram traumas. Quando notar que os movimentos bruscos cessaram, coloque a pessoa em posição lateral de segurança.
  • Parada Respiratória: ausência de respiração e dilatação das pupilas podem indicar uma parada respiratória. Neste caso, depois de acionar o socorro, inicie os procedimentos de reanimação, colocando as mãos entrelaçadas no centro do tórax e comprimindo entre 4 e 5 cm. Repita o procedimento 100 vezes por minuto até o socorro chegar, verificando o pulso a cada trinta vezes.
  • Queimaduras: apague o fogo no corpo da vítima cobrindo-o com cobertores, casacos ou tapetes. Não retire roupas coladas na pele, apenas recorte as partes soltas sobre as áreas queimadas. Cubra a pele afetada com gaze esterilizada ou panos limpos, para evitar infecção.