Rio de Janeiro, 14 de julho de 2015

O meu, o seu, o nosso

Cuidar da valorização dos imóveis de um condomínio também é papel do síndico Continue lendo

tamanho do texto:

Gabriel Menezes

 O dever do síndico vai muito além da tarefa de garantir o funcionamento harmônico do condomínio. É seu papel também primar pela constante valorização do patrimônio dos moradores e proprietários. Nestes dias que o mercado imobiliário anda com variações constantes e até queda nos valores para vendas e aluguéis, a atenção a essa questão deve ser redobrada. Infraestrutura, segurança e contas em dia, por exemplo, são itens essenciais para o declínio ou alta no preço de um imóvel.

Para o gerente de compra e venda de imóveis da APSA, Gustavo Araújo, questões aparentemente simples, como uma fachada, portaria ou corredor danificados ou mal conservados, também são importantes. Além de influenciarem no preço do imóvel, elas podem ser determinantes para que uma pessoa queira ou não buscar informações sobre ele ou visitá-lo. “Já tive casos de clientes que marcaram visita e, ao chegar ao local e constatar o estado precário da fachada, não quiseram sequer conhecer o imóvel. Isto ilustra a importância desse item”, conta Araújo.

Segundo ele, em geral prédios mais novos e com melhor infraestrutura tendem a valorizar mais o imóvel. Mesmo assim, o mais importante continua sendo o estado de conservação do edifício. Por isso, antes que os moradores pensem em investir em grandes melhorias e novidades, é importante nunca se descuidar do que já existe. “O importante é fazer a manutenção periódica e não deixar acumular, pois isto é o que encarece e acaba pesando no orçamento e, consequentemente, no bolso dos condôminos”, explica.

Já para os condomínios que estão com a conservação em dia e o síndico quer investir em novidades para valorizar os imóveis, mesmo com pouco dinheiro extra em caixa, o gerente da APSA ressalta que melhorias simples e relativamente baratas costumam causar um grande impacto. “O ideal é não inventar muito, seguir o padrão de construção. Coisas simples, como a decoração da portaria e os uniformes dos empregados não custam caro e já ajudam bastante”, frisa Araújo.

Sustentabilidade é chamariz

Não é de hoje que a sustentabilidade passou a fazer parte da vida das pessoas. De acordo com Laudimiro Cavalcanti, diretor do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), ela vem se tornando também, cada vez mais, um item primordial na valorização de condomínios. “O Rio abraçou com vontade o conceito e a prática sustentável. Um condomínio que segue os padrões sustentáveis, ganha um interesse crescente do mercado fluminense”, explica.

Segundo ele, um importante instrumento para comprovar se um edifício é sustentável é a Certificação LEED, selo para que segue os padrões internacionais no assunto. Um condomínio interessado em conseguir o selo precisa passar por um processo de análise que leva em conta as ações feitas antes, durante e depois do edifício ter sido construído.

Fora isso, questões tradicionais continuam ajudando bastante na valorização, como academias, vagas de garagem com espaço para manobrar e salão de festas. “Mas, acima de tudo isso, as pessoas querem saber mesmo é sobre a segurança, se a portaria é 24 horas ou se existem câmeras”, explica o diretor do Creci-RJ.

Já sobre pontos desfavoráveis, Cavalcanti lembra de uma questão comum que o síndico precisa ficar atento e fiscalizar, principalmente, quando se trata de um condomínios com residências e pontos comerciais.”Comércio no prédio, como bar, restaurante, oficina mecânica, lavanderia, mercadinho ou qualquer loja que faça barulho, é sempre um grande revés. É preciso ser severo”, afirma.

Segurança e possibilidade de ter animais são pontos positivos

Um pesquisa recente realizada por um dos maiores sites imobiliários do país – com mais de 3 milhões de usuários -  identificou quais itens são mais levados em conta na hora de comprar um imóvel num condomínio. Para a grande maioria (75% dos entrevistados), segurança 24 horas tem sido fator decisivo, principalmente em grandes cidades. Um dado que chamou atenção é que a possibilidade de ter animais de estimação no condomínio (48% dos entrevistados) foi citada como mais importante do que vagas extra de garagem (40%).

- Alguns serviços recentes também começam a aparecer como importantes para as pessoas, como lavanderia ou serviço de faxina – diz Rodrigo Iannuzzi, vice-presidente de marketing da empresa.