Rio de Janeiro, 7 de setembro de 2015

Cabine de comando

Confira dicas e procedimentos sobre a guarita dos edifícios para garantir o conforto do porteiro e a segurança dos moradores Continue lendo

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Mário Camelo

Ele lhe dá bom dia diariamente, o recebe sempre com um sorriso, conhece os seus horários, separa as suas correspondências e recepciona as suas visitas. Muito mais que isso, ele, o porteiro, também é o responsável direto pela sua segurança. Afinal, cuida diretamente de quem entra e sai do condomínio e isso, claro, é uma responsabilidade enorme. Portanto, o espaço em que o porteiro trabalha não deve ser subestimado, ao contrário, a guarita deve ser tratada como um tema especial no condomínio, em relação ao conforto do funcionário, à infraestrutura e à segurança dos moradores. Normalmente, é nas guaritas que ficam instalados os sistemas de vigilância, câmeras e segurança dos edifícios. E quando o assunto é segurança, aí o cuidado é redobrado.

Síndico por três anos do Condomínio Nova Veneza, de 40 unidades, Bruno Oliveira entende bem do assunto. Ele trabalha como sargento do BOPE e quando assumiu a função decidiu reformar o espaço da guarita no condomínio e trazer um pouco do aprendizado do setor de Segurança Pública para o posto de síndico. “A guarita do Nova Veneza é um pouco diferente. Ela possui dois andares e o funcionário fica alocado em cima. A grande diferença é que ele não tem um contato direto ou físico com as pessoas. Só se falam pelo sistema de interfone. Optei por essa questão, pois assim o funcionário não fica tão vulnerável”, afirma.

Bruno explica que a estrutura da guarita já existia, mas foi moldada. Não tinha nem porta e hoje é toda de alvenaria, com janelas na parte superior, bom ângulo de observação para os funcionários e conta ainda com um sistema moderno de câmeras com acesso pela internet. “Ficou parecida com essas cabines policiais, que você observa sempre do segundo andar. Em relação à segurança é bom. A verdade é que quanto se limita o acesso ao funcionário, é melhor. Ele é sempre o primeiro a ser rendido. A estrutura deve preservar fisicamente o porteiro, sem que ele fique exposto”, completa.

Outro elemento relacionado à segurança é a iluminação. Ela permite a identificação de ameaças com mais facilidade. “No entanto, deve-se ter cuidado no projeto, pois o conceito é que o agente de segurança (porteiro) seja capaz de observar e não ser observado. O insulfilm, por exemplo, é uma boa solução quando bem utilizado. Mas ele não deve ter inversão, ou seja, a iluminação externa deverá ser superior à interna, para que o agente tenha condições de observar sem ser observado”, explica o consultor de Segurança do Secovi-Rio, Raimundo Castro, que cita ainda a blindagem como mais um elemento de proteção. “O agente (porteiro) precisa estar protegido para proteger”, conclui.

CONFORTO

Não existe nenhuma lei que trate exclusivamente deste assunto das guaritas ou da forma como elas devem ser projetadas, no entanto, é necessário que a guarita tenha condições mínimas favoráveis de trabalho. Como normalmente é um espaço pequeno, recomenda-se que seja de fácil mobilidade, que tenha uma boa cadeira para o porteiro e um banheiro próximo ou interno. Água ou bebedouro também são essenciais.

“Um bom sistema de comunicação, uma ventilação adequada, mobilidade, proteção dos agentes e se possível vidros à prova de bala são necessários. Também não podemos desprezar as condições de higiene e as necessidades de sobrevivência do ser humano, devendo dispor no local de itens básicos, e/ou ter outro agente para dar cobertura quando necessário ao porteiro”, informa o consultor de Segurança do Secovi-Rio, Raimundo Castro.

Síndico há três meses do Residencial Green Village, de 46 unidades, em Vargem Pequena, o empresário Leonardo Rosa está reformando a guarita do condomínio e instalando novos sistemas de monitoramento via WiFi. Para ele, o conforto é um tema essencial. “O espaço tem que ter as condições perfeitas de trabalho, afinal o porteiro passa muito tempo ali. É necessário, por exemplo, uma cadeira ergométrica, água, café, um rádio para distrair um pouco, ventilação adequada ou ar-condicionado, especialmente com o calor que se faz em cidades como o Rio. E como normalmente são espaços pequenos, a mobilidade do funcionário não pode ser esquecida”, comenta.

É comum, por exemplo, escutar que um ar-condicionado ou um ventilador não é necessário na guarita. E a verdade é que o espaço é um ambiente de trabalho como outro qualquer e necessita de condições perfeitas de estada.

VIGILÂNCIA NOTURNA

Um assunto que levanta discussões acaloradas quando se fala de guarita é a vigilância noturna. A guarita pode ou não ter televisão, por exemplo, para os porteiros que trabalham à noite? A verdade é que permitir é um direito do síndico, mas estudos comprovam que a TV realmente causa sonolência. “O que eu recomendo é não liberar o uso de qualquer elemento que desvie a atenção do agente e a televisão é um deles. Um dos requisitos de um bom profissional de segurança é exatamente a percepção. E o entretenimento em serviço de segurança certamente não é um bom aliado”, afirma o consultor de segurança do Secovi-Rio, Raimundo Castro.

Ter bastante café por perto também é um modo de evitar os cochilos. Algumas consultorias sugerem ainda que os síndicos promovam premiações ou mesmo que instalem alarmes que disparem em períodos específicos de tempo. E em alguns casos, um rádio pode ser mais eficaz que a TV, pois afinal, trata-se de um trabalho essencialmente humano, e consequentemente, cada funcionário tem seu jeito de conduzi-lo. “E mais importante que tudo isso, não podemos esquecer que o ser humano é o principal elemento do Trinômio da Segurança, por isso, deve ser principalmente treinado para a atividade. Não adianta dar os recursos tecnológicos e de proteção sem capacitá-lo para usar”, conclui Castro.

E se eu precisar de reformas?

Não existe lei sobre as guaritas. O que existe é a Norma Regulamentadora nº 15.540, que certifica a Segurança das Empresas de Produtos Gráficos de Valores, a qual alguns especialistas usam como referência para projetar sistemas. Se a sua guarita necessita de reformas ou reparos, procure um profissional que conheça estes procedimentos e demais procedimentos de segurança do trabalho. E se possível, busque um arquiteto para desenhar o projeto mais adequado para o espaço do seu prédio. Lembre-se: a segurança da guarita e o conforto dos funcionários também influenciam na sua segurança.