Rio de Janeiro, 14 de julho de 2015

Brincadeira de Criança

Alegria da criançada, a brinquedoteca é um espaço onde brinquedos e aprendizado convivem lado a lado. Saiba como organizar e manter a segurança deste ambiente em seu condomínio Continue lendo

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Aline Durães

Computador, smartphone, videogame, tablet. Para muitas crianças, esses gadgets são a principal fonte de diversão e entretenimento. A afirmação é ainda mais verdadeira se os pequenos residirem nas grandes cidades do país, marcadas por uma violência crescente que, cada vez mais, força os pais a manterem os filhos na segurança de seus lares.

O entrosamento com a tecnologia, embora benéfico, não substitui a importância do contato com outras crianças. Nesse sentido, uma opção válida para quem quer proporcionar à meninada brincadeiras com segurança é a brinquedoteca do condomínio. A “biblioteca” de brinquedos, como é conhecida, está longe de ser apenas um local de passatempo. Ali, crianças de várias idades exercem o seu direito de brincar e, por meio de brinquedos, atividades lúdicas e jogos, aprendem a se expressar, respeitar regras e a viver em coletividade. “Brincar é a atividade principal da criança e a criança só se desenvolve quando está ativa. Brincadeira é seu modo de estar no mundo, é a sua linguagem, sua forma de organização e de expressão. Na brincadeira, ela desenvolve seu corpo, sua imaginação, sua habilidade de interagir e de se comunicar, pensar e criar. Enfrentado e dando alguma solução aos desafios presentes na brincadeira, a criança ganha segurança em si mesma, ganha condições de melhor enfrentamento da vida”, explica Maria Célia Malta Campos, presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri).

A missão de trazer diversão e promover a interação entre os condôminos-mirins é levada muito a sério em alguns condomínios, como é o caso do Rossi Parque das Laranjeiras, de 152 unidades. Nele, foram construídas não uma, mas duas brinquedotecas: a “Kids”, destinada a crianças de cinco a treze anos, que dispõe de computadores e jogos educativos, e a “Baby”, voltada para pequenos de até quatro anos. “Mais frequentadas durante os fins de semana, essas áreas se configuram em mais uma opção de lazer para as crianças. Ali é o espaço delas. Isso ajuda a manter a ordem nas demais áreas comuns do condomínio”, afirma Márcio Frederico de Souza, síndico do condomínio de Laranjeiras.

Por dentro da brinquedoteca

Quanto maior o ambiente para organizar a brinquedoteca, melhor. A ausência de espaço, no entanto, não serve de desculpa aos condomínios que ainda não investiram na iniciativa. Como exige infraestrutura pouco sofisticada, a biblioteca de brinquedos pode ser montada também em salas de pequeno porte, a partir de quatro metros quadrados. Sendo assim, aquele canto do salão de jogos ou aquela sala vazia e já esquecida na área comum do prédio podem sim se transformar num lugar exclusivo para a diversão dos condôminos-mirins.

Mais importante do que o tamanho do espaço, é a sua setorização. Vale a pena criar ambientes distintos para atividades específicas, como cantos do videogame, da fantasia e da música, por exemplo. Além dos espaços temáticos, é importante que a brinquedoteca invista em espaços livres, nos quais as crianças possam correr e brincar livremente, desenvolvendo assim sua imaginação. “Espaços livres oferecem condição do movimento, o que é superimportante para o desenvolvimento, e podem armazenar os brinquedos de movimento e equilíbrio, nos quais a criança sobe, se pendura e salta”, pontua Maria Célia.

Outro ponto de atenção é a decoração. Ela precisa ser criativa e lúdica, com cores alegres e divertidas que promovam o encantamento e interesse da criançada. “A criança precisa sentir que o ambiente é destinado a ela. Cores, móveis, materiais e até mesmo os brinquedos que estarão disponíveis devem fazer parte do universo da criança para que ela se sinta identificada e acolhida por aquele ambiente”, afirma a arquiteta Ligia Bisconti.

A variedade de brinquedos presentes no espaço também deve estar no foco de preocupação do condomínio. Para cumprir o seu papel lúdico e formador e para contemplar crianças de diferentes faixas etárias, a brinquedoteca deve investir em um leque amplo de opções. Vale de tudo um pouco: bonecos e fantoches; pratos e panelinhas; caminhões e carrinhos; tintas e massas de modelar; jogos, formas e blocos; livros, CDs e DVDs. Sem esquecer dos bons e velhos itens de papelaria, como papel, cola, tesoura, canetinhas, lápis de cor, pincéis e tintas. “No nosso caso, o condomínio comprou parte dos brinquedos. Os demais foram doados pelos próprios condôminos. Até hoje, eles entregam itens aqui. A gente cataloga e coloca à disposição das crianças”, conta o síndico Márcio Frederico.

Na hora de escolher o piso do espaço, o síndico pode optar pelo tipo vinílico. Além de ter baixo custo e fácil manutenção, ele estimula a circulação sem sapatos e facilita as brincadeiras no chão. Caixas grandes para guardar os brinquedos e pufes estofados para os adultos que acompanham as crianças são outros itens de decoração importantes. Se sobrar algum dinheiro, o síndico pode ainda instalar uma TV para transmitir programação infantil em tempo integral.

Ao construir uma brinquedoteca, caberá ao síndico decidir se contratará ou não um brinquedista para supervisionar as crianças. A orientação dos especialistas é que, apesar dos custos da contratação, a unidade opte pelo profissional. Entre outras funções, ele será responsável por organizar e classificar os jogos e brinquedos, planejar atividades diferenciadas e fazer valer as regras de utilização do espaço. “É preciso ter alguém que planeje a aquisição dos objetos, materiais e do mobiliário. Alguém que providencie a limpeza diária do ambiente e a higienização semanal dos brinquedos. Isso é essencial para que a brinquedoteca perdure e seu projeto não se esvazie. Por isso, alguém deve ser responsável pela supervisão do espaço e dos objetos. Um rodízio entre os condôminos seria uma alternativa”, sugere a presidente da ABBri, Maria Célia.

Diversão com segurança

Brincar é bom, mas brincar em segurança é melhor ainda. Por isso, a brinquedoteca deve ser pensada tendo sempre como norte o bem-estar das crianças que darão vida ao local todos os dias. Um dos itens cruciais para isso já foi citado nesta matéria: o piso. A opção pelo chão emborrachado serve não só para estimular a criatividade dos pequenos, mas ajuda também a prevenir contusões em caso de quedas e acidentes.

Quando for escolher o mobiliário, os móveis com cantos arredondados e resistentes devem ter prioridade, pois não soltam farpas nem causam acidentes. MDF e madeira maciça são materiais interessantes a se utilizar no espaço. Já o vidro tem de ser evitado.

É imperioso também que todos os brinquedos tenham o certificado do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o que garante que os objetos não oferecem perigo ao serem manipulados. “Os brinquedos podem estar dispostos em prateleiras com diferentes alturas para que as crianças possam acessá-los em função da sua idade/altura. Dessa forma, aqueles que contêm peças pequenas não ficam disponíveis para os menores. Outra possibilidade é privilegiar um ambiente que seja interativo, diminuindo o número de brinquedos, mas construindo um espaço seguro, interessante e apropriado que estimule outros tipos de brincadeiras”, destaca a arquiteta Ligia Bisconti.

Por último, uma iniciativa eficaz na tarefa de promover o uso seguro da brinquedoteca é elaborar um manual com as regras de utilização do espaço. Esse regulamento deve ser distribuído aos condôminos e afixado nas paredes da sala. Entre suas determinações, é necessário constar o horário de funcionamento da brinquedoteca e as faixas etárias que terão acesso ao ambiente. Ele pode também permitir ou proibir a entrada de visitantes, exigir a presença de acompanhante para a criança e dispor sobre as condições de utilização de cada um dos brinquedos. “Deve-se combinar com as crianças e os pais algumas regras, como cuidar para que os brinquedos e jogos dos maiores não fiquem ao alcance dos bebês e crianças menores; guardar o que foi usado e não deixar peças espalhadas; crianças doentes não devem ser levadas à brinquedoteca etc.”, afirma Maria Célia.

É importante, ainda, que o texto proíba a retirada de objetos e brinquedos da sala e a utilização da brinquedoteca para fins profissionais ou para Educação Infantil. Outra dica é deixar explícito o tipo de penalidade a ser aplicada ao condômino que descumprir as determinações do documento.