Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2014

Torcida em vizinhança

Reunir os vizinhos para assistir os jogos da Copa é uma tradição brasileira, mas que precisa de planejamento e precauções Continue lendo

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Jogo de Copa do Mundo é sinônimo de festa. É muito comum reunir os amigos e vizinhos para compartilhar as emoções das partidas juntos. Em condomínios com salas de TV coletivas, essa possibilidade se torna ainda mais fácil. Mas, para evitar que a celebração se torne um aborrecimento, o síndico precisa planejar bem os encontros, com atenção para pontos como a manutenção dos equipamentos e regras de convivência. No Edifício Golden Garden, em Botafogo – administrado pela Apsa – existe uma tradição de os moradores se reunirem para assistir TV,  seja jogos, novelas ou filmes. Lá, o espaço não é uma sala tradicional, mas uma área abaixo do prédio, aberta nas laterais, com uma televisão de 46 polegadas e outra de 52. Outro diferencial é que ele conta com um bar terceirizado exclusivo para os moradores.

De acordo com o síndico do prédio, Saul Cusnir, a final da Copa das Confederações no ano passado reuniu cerca de 80 moradores. Assim como acontece em jogos importantes, a ocasião contou com atrativos especiais. “Contratamos uma empresa para fazer pizzas durante o jogo. Não saiu por mais de R$ 20 por morador. Na copa passada, fizemos camisas estilizadas com o número do prédio. Já em 2002, quando os jogos foram muito cedo, sempre acontecia um grande café da manhã”, diz o síndico.

Ele conta que antigamente a área da TV era subutilizada. A situação começou a mudar há oito anos com a terceirização do bar. A partir daí, o condomínio investiu nas TVs, mobília, assinatura de canais por Pay-per-view e uma reforma no banheiro – por conta do aumento na movimento de pessoas. Hoje, o gasto mensal é praticamente apenas com os canais pagos. “Todos os dias temos moradores assistindo TV na área, seja futebol, filme ou novela. Não existem muitas regras, mas sempre pedimos um comportamento civilizado, principalmente quando se trata de futebol. Não podemos tolerar xingamentos e gritaria”, afirma Cusnir.

O síndico ressalta que para organizar um evento o mais importante é encontrar pessoas dispostas a trabalhar. “Programar essas reuniões é sempre trabalhoso. Aqui no condomínio, temos uma espécie de comissão espontânea de moradores que tomam frente disso. É essencial ter uma sintonia entre o síndico e os condôminos nessa organização”, explica.

Capacidade pode ser um problema

No Etáge Botafogo – edifício também administrado pela Apsa – a TV fica num salão com capacidade para 70 pessoas. O espaço conta com uma cozinha completa, sistema de som, projetor e tela retrátil de 1,5 metros de altura e largura. Há também uma varanda anexa para quem quer fumar ou conversar.

O espaço tem regras de uso, como a necessidade de se manter as portas fechadas para que o som não incomode outros moradores e a obrigatoriedade de sempre deixar uma lista com os nomes de possíveis convidados na portaria. “É cobrada uma taxa de 40% do valor do salário mínimo vigente pelo uso do espaço por um  morador ou grupo. O dinheiro é usado na manutenção dos equipamentos e do salão”, ressalta o síndico

De acordo com o síndico, Fernando Estrada, na final da Copa das Confederações, algumas famílias se reuniram para assistir ao jogo, beber, comer e confraternizar. “Os encontros são organizados de forma espontânea pelos moradores e não pela administração. O problema é que um evento organizado pelo condomínio teria de ser aberto a todos, e não há capacidade para isso”, explica Estrada.

A capacidade também é um problema no Condomínio Buena Vista, no bairro Santa Rosa, em Niterói. Apesar de contar com uma sala com TV de 47 polegadas e home theater, o espaço comporta no máximo 15 pessoas, o que inviabiliza um evento reunindo todos os moradores. “A sala será disponibilizada para um morador interessado. A reserva precisa ser feita por escrito e o morador tem que assinar um termo de responsabilidade se comprometendo a arcar com qualquer dano no cômodo ou nos equipamentos. Ele também terá que estar presente durante a utilização do espaço e, caso o ar-condicionado seja utilizado, será cobrada uma taxa extra na fatura do condomínio”, explica a síndica, Stella Alvim.

Privacidade e segurança são vantagens

A jornalista Maria Marina Figueiredo tem o costume de reservar a sala de TV do seu prédio pelo menos duas vezes ao mês para reunir os amigos, e pretende fazer o mesmo na Copa do Mundo. Ela mora no Condomínio Piemonte, no bairro São Francisco, em Niterói, que conta com uma sala 40 metros quadrados com mesas, cadeiras, sofá, ar-condicionado e home theater. “É uma possibilidade que preserva a nossa privacidade e dá mais segurança também. Como aqui no prédio a administração não tem o costume de organizar eventos na sala, quero reservar para a Copa”, diz.

O regimento do condomínio estabelece que o morador pode reservar a sala e levar até quatro convidados sem nenhum custo. Quando o número de visitantes é maior, o morador precisa pagar uma taxa de R$ 150.

 Estilizar o ambiente pode ser um diferencial

Já que o destaque de 2014 é a Copa do Mundo no Brasil, uma ideia interessante para a sala de TV pode ser decorá-la com o tema futebol. Foi o que fizeram as arquitetas Manuela Guida e Flavia Ladvoca no Condomínio Jardim Ubá Maricá, em Maricá, previsto para ser inaugurado em meados de 2014. Apesar de o resultado chamar a atenção, elas garantem que algo parecido pode ser feito em qualquer lugar sem um orçamento exorbitante.

De acordo com Manuela, o custo não é elevado por causa dos materiais utilizados. “O Espaço Arena foi projetado para 25 lugares. As paredes foram adesivadas, o chão foi pintado e as arquibancadas construídas em alvenaria e revestidas com carpete antialérgico”, diz.

 

DEZ DICAS PARA MONTAR UMA SALA DE TV NO CONDOMÍNIO

A arquiteta Helena Mello é autora de uma série de projetos de salas de TV residenciais de uso coletivo. Ela listou dez dicas importantes para um síndico que pretende implantar o espaço em seu condomínio.

 1. Layout do espaço: cômodos quadrados não são boas opções. O ideal é ambientes retangulares e de preferência com paredes não paralelas, o que beneficia a localização das poltronas e, principalmente, a acústica da sala.

 2. Acústica: é sempre bom lembrar que televisão faz barulho e pode incomodar quem não está assistindo. Por isso, um bom tratamento acústico na parede, piso e teto é fundamental. Geralmente as salas de TV ficam abaixo de um apartamento. Quando isso ocorre, a laje acima do espaço também precisa ter isolamento sonoro, que pode ser feito com placas de gesso (simples ou duplo), lã de vidro ou rocha. Além disso, é recomendável o uso de tapetes ou carpetes, que também absorvem ruídos.

 3. Iluminação: o uso de janela é obrigatório em qualquer ambiente de uso coletivo. Para a sala TV, é essencial ter cortinas aveludadas e blecautes para evitar ao máximo a entrada de luz natural. Outro ponto importante é usar uma iluminação indireta, como balizadores de piso ou parede, que não causam interferência na projeção ou vídeo, mas iluminam o caminho até a porta e corredores.

 4. Poltronas: não é necessário utilizar cadeiras específicas de cinema. A opção por sofás e chaises confortáveis são muito mais bem aceitos em condomínios. Poltronas dispostas em degraus são uma excelente solução para o melhor aproveitamento do espaço.

 5. Tamanho da tela: na hora de escolher a TV ou o projetor é importante levar em conta o tamanho da sala. Uma tela grande assistida sem uma distância adequada se torna incômoda para os telespectadores.

 6. Investimento: o custo varia de acordo com o tamanho da sala e o sistema implantado. A partir de R$ 5 mil é possível montar um projeto bem simples. Para uma sala com boa aparelhagem, visual e acústica, o custo médio é de R$ 20 mil.

 7. Manutenção: Quanto menos aparelhagem, melhor e mais fácil será a manutenção. A escolha de equipamentos de áudio e vídeo que trabalhem em conjunto ou da mesma marca facilitam muito esse processo.

 8. Mão de obra: Para um bom funcionamento dos equipamentos, é importante buscar mão de obra especializada na hora da instalação. Existem diversas empresas que oferecem o serviço.

 9. Tempo de montagem: o tempo médio para a montagem de uma sala de TV é de um mês, dividido entre a elaboração do projeto, obras e a compra do mobiliário e equipamentos eletrônicos

 10. Facilidade de uso: por se tratar de uma área de uso coletivo, é essencial sempre optar por sistemas de fácil utilização. O telão fixo é uma boa opção, pois evita trabalho de montagem e desmontagem. Um controle remoto universal com programação prévia de filmes, canais de TV e música também é bem-vindo.