Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2014

Para se refrescar do calor

Piscinas de condomínios exigem cuidados redobrados no verão Continue lendo

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Texto: André Luiz Barros

O verão se aproxima, e não tem jeito, o que o carioca quer é dar um pulinho em alguma praia ou piscina para se refrescar e dourar a pele. No Rio de Janeiro, o clima é um convite quase irrecusável a um mergulho. Muitos sortudos de plantão, nem precisam sair de casa para lavar a alma, bastam pegar o elevador do condomínio e ir até o play. Mas será que a piscina do seu prédio está própria para o banho? O síndico precisa ficar atento.

No condomínio do edifício Palazzo di Ravena, no Grajaú, a preocupação é constante e a limpeza da piscina é uma tarefa diária. “A limpeza é realizada todos os dias por um funcionário que tem um horário especial. Ele começa a limpá-la às 7h, e somente às 9h o espaço é liberado ao banho”, explica a síndica do prédio, Thais Lopes Fonseca.

Thais comenta que a piscina funciona das 9h às 17h, mas no verão esse horário é estendido até às 19h, por causa do maior número de banhistas. Por lá, é o zelador do prédio que cuida da limpeza. “Ele aspira a piscina todos os dias na parte da manhã e o cloro é sempre colocado no final da tarde, quando encerramos o uso pelos moradores”, comenta ela.

Nos meses de verão, no entanto, o cuidado é redobrado. Nessa época a síndica costuma contratar uma equipe especializada que vem sempre uma vez por semana para fazer uma limpeza mais profunda, e aí, além do cloro e da aspiração, são utilizados outros produtos, e são feitas a varrição e a lavagem do deck.

Para reduzir o volume de resíduos depositados na piscina, o condomínio criou uma série de regras. Entre elas está a proibição da entrada de alimentos e o uso de óleo bronzeador na área da piscina, além da obrigatoriedade do banho na ducha antes de entrar no deck. De acordo com Thais, o custo mensal com a compra de cloro é de R$ 400 e com a mão de obra externa, quando necessário, de um salário mínimo.

Limpeza permanente
O administrador de empresas, Mário Jorge, é dono de uma empresa especializada em manutenção e limpeza de piscinas. Ele sugere que o cuidado seja feito diariamente ou, pelo menos, de dois em dois dias. “A limpeza consiste na retirada das partículas maiores que possam vir a vir na água por meio da peneiração e a remoção das impurezas menores por aspiração, além do uso diário de cloro e outros compostos químicos necessários para a correta higienização da água. Esse é um cuidado permanente que deve ser feito sempre, não apenas no verão”, aponta ele.

Além da sanitização da piscina com o cloro e da peneiração, que nada mais é do que a retirada da sujeira grossa, que, comumente fica em suspensão na água, como insetos, folhas, cabelos e pequenos objetos, periodicamente devem ser feitas a escovação de paredes e a higienização das bordas, bem como o ajuste de pH e a aplicação de algicidas. De tempos em tempos é preciso checar o funcionamento do filtro e também da bomba.

Mário destaca ainda que o decreto nº 4.447/81 – lei 3728/2001 determina a presença de um guardião em piscinas maiores de 36 metros quadrados. Em muitos condomínios, segundo ele, esse guardião também realiza a limpeza. O custo médio com a contratação desse tipo conjugado de serviço, que inclui um profissional com a jornada de trabalho de 44h semanais, é de R$ 3700 por mês. O empresário chama a atenção para a hora da contratação desse tipo de serviço.

“A apresentação de todas as certidões negativas e a verificação do currículo da empresa são fundamentais. Peça indicações e ligue para alguns clientes. Se possível, visite a sede da companhia para verificar a estrutura oferecida. Tudo isso é importante para evitar surpresas”,  destaca.

Cuidados com a saúde
A incidência de doenças de pele aumenta no verão. Sol, praia, piscina, não adianta, alguns cuidados são muito importantes para que se evitem micoses, conjuntivites, otites e inflamações de modo geral. De acordo com o dermatologista Vitor Reis, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, as piscinas que não recebem limpeza adequada ao número de frequentadores podem por si só ter um número de bactérias, algas e principalmente fungos que causam dermatoses. Ele ressalta a importância de se tomar alguns cuidados. “Deve haver um consenso ou até mesmo uma fiscalização quando à utilização da piscina por usuários com doenças de pele que podem ser contagiosas, principalmente micoses dos pés, unhas, virilhas ou tronco”, destaca o médico.

O doutor sugere que após o uso de piscinas coletivas, os banhistas molhem o corpo com água de chuveiro para retirar o cloro que, eventualmente, possa estar em excesso. Outra medida crucial é enxugar bem o corpo, especialmente nas regiões onde se tem dobras, além de não permanecer muito tempo com a roupa úmida sobre a pele.

O dermatologista explica que o cloro resseca a pele por retirar sua camada superficial gordurosa e protetora, e que o mesmo acontece com os cabelos, que podem ficar até amarelados. Para evitar que produtos químicos utilizados na limpeza e manutenção da piscina prejudiquem a saúde, é importante estar por dentro de algumas dicas.

“Não se deve permanecer muito tempo dentro da água principalmente se o cheiro dos produtos químicos e do cloro estiver muito forte. Não se esqueça de lavar o corpo e os cabelos com água corrente após a saída da piscina. Em crianças alérgicas esses produtos podem provocar problemas respiratórios por irritação das vias aéreas superiores”, esclarece ele.