Rio de Janeiro, 23 de março de 2014

Geradores de energia dão mais comodidade aos condomínios

É comum acontecer apagões, blecautes e picos na energia elétrica no verão. Para lidar com estes problemas de forma mais tranquila e minimizar os impactos provocados por eles, muitos condomínios vêm utilizando geradores de energia elétrica. Continue lendo

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Vanessa Sol

Apagões, blecautes, picos de energia elétrica. É quando falta energia elétrica que nos damos conta de que não conseguimos mais viver sem ela. No verão, o aumento da demanda acaba ocasionando quedas de luz em várias regiões do Brasil. As diversas falhas no sistema de distribuição de energia no país acabam se tornando um grande problema não só para os estabelecimentos comerciais, hospitais, hotéis e empresas. A falta de energia torna-se um grande transtorno para os mais diversos lares, incluindo os condomínios, que possuem itens importantes, como elevadores, portões eletrônicos e sistemas de segurança, que sem energia não funcionam.

No entanto, um grande aliado pode minimizar os impactos da falta de luz: o gerador de energia elétrica. Ele vem sendo cada vez mais utilizado nos condomínios do Rio de Janeiro, não só para atender as áreas comuns e os clubes, como também as unidades condominiais.

A implantação dos geradores de energia reflete um momento de mudança. A dificuldade pelas quais passam os condomínios ao ficarem horas sem energia elétrica faz com que síndicos e condôminos pensem em uma fonte alternativa de energia. No Condomínio do Edifício Residencial Vivendas, no Leblon, o uso do gerador de energia elétrica é antigo. O sistema foi instalado logo que o condomínio foi construído. São, aproximadamente, 40 anos garantindo o conforto e a comodidade dos condôminos.

Isolda Reich, síndica do Residencial Vivendas há seis anos, explica que, atualmente, o gerador tem sido fundamental no dia a dia do condomínio. Com as obras de expansão do metrô para a construção da Linha 4, que passa pelo bairro do Leblon, têm sido frequente as quedas de luz e falta de energia na região. “Ultimamente, as obras do metrô vêm causando blecautes no Leblon, com isso estamos utilizando muito o gerador”, relata a síndica, que destaca ainda que o gerador abastece todas as unidades, além das áreas comuns do condomínio.

Cuidados na instalação
O condomínio que decidir pela implantação de um gerador de energia tem duas opções. A primeira é adquirir seu próprio equipamento e fazer a instalação. Outra opção também muito adotada é o aluguel do equipamento em firmas especializadas.  A escolha, entretanto, deve ficar a critério de cada condomínio, que deve debater o assunto em assembleia para identificar a opção que mais se adéqua a realidade do condomínio.

Na opinião de Felipe Strauss, diretor geral de uma empresa que trabalha com venda, instalação e manutenção de geradores, a melhor opção é o condomínio adquirir seu próprio equipamento. “Em se tratando de um equipamento como o gerador, que possui vida útil longa e é de suma importância nos dias de hoje, com certeza, a melhor opção é que ele seja do próprio condomínio”, destaca Strauss.

Em relação à escolha do equipamento, o diretor afirma que os síndicos devem ficar atentos a alguns requisitos básicos: “a preferência deve ser por modelos de geradores que consigam atender, no mínimo, as áreas comuns do condomínio e que, de preferência, tenham um bom tratamento acústico para não incomodar os condôminos”, explica Strauss.

As formas de utilização dos geradores de energia também podem variar. Eles podem ser utilizados pelos condomínios tanto nos momentos de ausência de energia elétrica como também nos horários de picos, quando a energia fornecida pela concessionária é mais cara.

A instalação de geradores de energia elétrica requer alguns cuidados. É necessário que toda a parte elétrica esteja devidamente vistoriada e em excelentes condições de uso. Um dos primeiros procedimentos que o síndico deve adotar ao decidir pela implantação do gerador de energia elétrica é agendar uma visita técnica para avaliar a potência e a tensão necessárias do equipamento que irá fornecer energia ao condomínio.

Além disso, o especialista explica que o a instalação deve seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Seguindo as normas da ABNT, utilizando-se um bom sistema de aterramento, uma bacia de contenção para o diesel, um sistema de refrigeração e troca de calor adequados, cabeamentos dimensionados de forma correta, a instalação estará segura”, declara Strauss.

Tipos de geradores e manutenção
Por serem complexos, os geradores necessitam de manutenção periódica, que deve ser realizada mensalmente. Ela é indispensável para assegurar o pleno funcionamento dos equipamentos nos casos de emergência.

Durante a manutenção preventiva do equipamento, são verificados os itens do motor a diesel, água, óleo, e condições gerais. Os componentes de comando também devem ser verificados e testados mensalmente. Além da manutenção preventiva, há a manutenção corretiva, que é acionada somente quando há algum problema no gerador.

No Residencial Vivendas, o gerador, que funciona à base de óleo diesel, nunca deu problemas à síndica e a manutenção periódica é feita mensalmente por uma empresa especializada. “Estar com a manutenção em dia é fundamental para que o equipamento funcione quando precisarmos dele”, declara Isolda.

Custo X benefício
Na relação custo versus benefício, as vantagens são consideráveis. Em casos de falta de energia elétrica, os geradores podem manter uma autonomia de uso de mais de 12 horas, dependendo da carga exigida pelos elevadores, portões eletrônicos, bombas d’água, alarmes, interfone e iluminação da área comum.

A síndica do Vivendas conta que já ocorreu situações de falta de energia elétrica em que o gerador do condomínio abasteceu por mais de 24 horas as unidades e a as áreas comuns do condomínio. “Nosso gerador é, realmente, muito potente. Em uma determinada situação, funcionou por mais de 24 horas, nos fornecendo energia, sem interrupção”, orgulha-se Isolda.

De acordo com o diretor da empresa de geradores, o equipamento é capaz de suprir a falta de energia elétrica por períodos extensos. “A maioria dos equipamentos é projetada para funcionar por longos períodos, sendo assim, enquanto houver combustível ele pode ser utilizado pelo tempo que for necessário”.

Embora garanta o conforto em momentos de falta de energia elétrica, não são todos os condomínios que fazem uso do gerador. Alguns não possuem o dispositivo por falta de verba, outros por não considerá-lo um investimento necessário. Com isso, o equipamento acaba sendo ainda um benefício mais comum nos condomínios de classe média alta.

Porém, a utilização do equipamento já é assunto constante em reuniões de condomínio e a procura tem sido cada vez maior, começando a atrair até mesmo os condomínios de classe média, já que os investimentos para a instalação de um desses aparelhos podem não ser tão altos quanto se imagina. Se a falta de verba pode ser um entrave para que condomínios de classe média disponham deste tipo de equipamento, o custo versus o benefício pode justificar um planejamento financeiro para aquisição de um gerador.

Legislação de geradores de energia
O especialista em geradores explica que embora não exista uma legislação específica para a instalação de geradores de energia elétrica, os síndicos devem ficar atentos e conhecer os dispositivos legais referentes ao meio ambiente para evitar acidentes dentro do condomínio e garantir a segurança dos condôminos ou de pessoas que circulam próximo ao aparelho, além dos funcionários do próprio condomínio. “De modo geral não há muita exigência e uma fiscalização direta com regras claras, porém existem regras ambientais no que diz respeito a ruído e controle de vazamento de combustíveis”.

No Residencial Vivendas, foi necessária uma obra de adaptação do gerador para reduzir o incômodo que a fumaça produzida provocava na vizinhança. Com a correção do problema, tanto os condôminos do Residencial quanto dos condomínios ao redor ficaram livres da fumaça provocada pela queima do diesel. “Depois da notificação, fizemos uma tubulação para que o escapamento ficasse adequado às questões ambientais”, finaliza a síndica Isolda Reich.