Rio de Janeiro, 24 de maio de 2014

A importância da qualificação

Cursos e programas de treinamento preparam funcionários para os desafios do dia a dia e melhoram a qualidade do trabalho prestado nos condomínios Continue lendo

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“O homem não é nada daquilo além do que a educação faz dele”. A frase do filósofo Immanuel Kant defende o poder que o conhecimento tem no desenvolvimento do ser humano. Em todas as esferas, a educação contribui não só para a construção de melhores profissionais, como também para a de cidadãos mais atuantes. E com os funcionários de um condomínio a premissa não é menos verdadeira.

Quanto mais qualificados porteiros, zeladores, faxineiros e garagistas, maior a possibilidade de a unidade funcionar em ordem e de o síndico ser menos demandado para resolver problemas corriqueiros. Isso porque o funcionário capacitado tem condições de realizar melhor suas tarefas e de apresentar soluções criativas para os percalços diários condominiais. No fim das contas, há menos retrabalho e o tempo é otimizado. Ganham os funcionários, que conseguem responder às demandas do serviço, e o condomínio, que evita uma série de dificuldades causadas por empregados mal preparados.

Mas a verdade é que, nem sempre, é fácil contratar profissionais capacitados para atuar no condomínio. Na maior parte das vezes, os funcionários chegam sem qualquer qualificação, o que exige tempo do gestor e de empregados mais antigos para treiná-los e acaba interferindo na dinâmica de trabalho do prédio.

Diante dessa realidade, um número cada vez maior de síndicos tem investido em cursos e treinamentos para seus funcionários. São administradores condominiais que encaram a educação não como gasto, mas sim como investimento. Prova disso são os números do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio): somente no último ano, mais de 2.300 funcionários condominiais passaram pelos cursos de capacitação oferecidos pela entidade.

Dayse Pissurno, gerente da Universidade Corporativa Secovi Rio (UniSecovi Rio), dá outro exemplo: em  2013, apenas um dos inúmeros programas de qualificação de porteiros do órgão recebeu 573 interessados. “O número de participantes tem aumentado significativamente, ano a ano. De 2006 até hoje, tivemos 55% de aumento no número de concluintes. Os gestores estão entendendo que a qualificação é essencial para que seus funcionários possam lidar com desafios cada vez maiores, em todas as funções, e realizá-las com competência.”, destaca.

Itália Amêndola é uma das gestoras que aposta na capacitação de seu pessoal. Ela percebeu, na prática, que suas orientações não bastavam para a boa performance dos funcionários do Edifício Itaigara, na Tijuca. “Em determinada situação, embora tenha sido orientado a atender estranhos pelo interfone, enquanto eles estão do lado de fora do condomínio, o funcionário não soube agir. Foi necessária uma interferência mais enérgica, pois o estranho insistia em subir a um apartamento que não queria recebê-lo”, conta.

A partir daí, a síndica compreendeu que era necessário mais do que orientações: seus funcionários precisavam de capacitação profissional. Hoje, dos nove empregados do Itaigara, seis já passaram por algum treinamento específico para o trabalho. “Os cursos foram fundamentais para instruir melhor os funcionários na lida diária de suas tarefas. Eles ficaram mais ligados na questão da segurança e mais atenciosos com os moradores”, ressalta Itália Amêndola.

O condomínio arcou com todos os custos da qualificação, mas a síndica conta que valeu a pena. Até mesmo os moradores apoiam a iniciativa. “No início, eles se ressentem da falta do profissional nos dias do curso, mas depois reconhecem o valor do que trazem como bagagem. A falta de qualificação prejudica o condomínio na medida em que toma tempo ter de preparar o funcionário para as tarefas que terá desempenhar. Os cursos são a melhor saída, mas essa realidade vem mudando lentamente. Ainda precisamos capacitar o profissional que busca o trabalho em condomínio”, opina a síndica tijucana.

Vantagens do aprendizado
Funcionários que desrespeitam condôminos, porteiros que permitem a entrada de estranhos sem a devida identificação prévia, zeladores e faxineiros que desperdiçam recursos naturais e materiais durante o desempenho de seu trabalho. Esses são alguns exemplos de como a ausência de capacitação profissional pode trazer prejuízos – econômicos e humanos – ao condomínio. Daí a importância de treinamentos para municiar os empregados com informações e instrumentos que os permitam executar com mais eficiência o seu trabalho. Mas o que os cursos ensinam?

Dayse Pissurno, do Secovi-Rio, explica que, apesar de existirem diversas opções de programas de qualificação, a maior parte deles ensina lições de segurança, de identificação e prevenção de problemas e estimula debates sobre ética e respeito. “São conteúdos que buscam, entre outras coisas, aperfeiçoar as ações para a redução das vulnerabilidades na segurança dos condomínios residenciais e comerciais e desenvolver atitudes de prevenção”, pontua a gerente.

Algumas programações mais específicas têm como objetivo desenvolver a capacidade do aluno de identificar problemas relativos à manutenção predial e orientar a busca de soluções. Há também os cursos que preparam os funcionários para a prevenção e primeira resposta a eventos críticos e urgentes, como incêndios, por exemplo. “O síndico percebe, no dia a dia, a mudança de comportamento e atitude, que gera serviços mais competentes. Os cursos não são apenas teóricos. São práticos, dinâmicos, participativos. Alunos de todos os níveis são levados a refletir e a construir conhecimentos para transformar sua prática. Esse é o objetivo”, defende Dayse Pissurno.

Quais os cursos mais indicados?
Dentre todos os cursos de capacitação, qualificação e atualização oferecidos no mercado para os funcionários de condomínios, alguns são imprescindíveis. O primeiro deles é o de “Qualidade nos Serviços de Portaria”. O curso, voltado exclusivamente para porteiros, trabalha a autoestima do funcionário, mostrando a importância de sua função para o bom funcionamento da rotina condominial. Nele, o aluno tem aulas de rotinas operacionais da portaria, aprende a fazer o relatório de registro e recebe noções de comunicação interpessoal, higiene e apresentação pessoal.

O curso de “Segurança Predial” se tornou essencial diante do crescimento do número de tentativas de roubos e assaltos em condomínios da cidade. Entre outras coisas, o treinamento ensina o funcionário sobre o funcionamento administrativo do condomínio, os equipamentos de segurança disponíveis e a melhor forma de utilizar cada um deles.

Já o programa de “Limpeza Predial Econômica e Ecossustentável” tem sido buscado pelos síndicos envolvidos na causa ambiental e interessados em utilizar com mais eficiência os recursos naturais e materiais em sua unidade. Ao abordar temas como técnicas de limpeza e manuseio de produtos químicos, as aulas apresentam aos alunos formas práticas e eficazes de se realizar uma limpeza predial sustentável.

O curso de “Manutenção Predial” é um dos mais interessantes para o síndico que concilia a função de gestor com sua carreira profissional e, por isso, não tem tempo de resolver os problemas de infraestrutura de sua unidade pessoalmente. Ele fornece aos participantes noções de edificações e de sistemas elétricos, hidráulicos e sanitários, preparando-os para solucionar problemas de emergência como faltas de luz, água e telefone.

Por último, mas não menos importantes, estão os cursos de “Prevenção e Combate de Incêndio” e o de “Cipa”. Ambos podem ser realizados tanto por síndicos como por funcionários e têm como objetivo orientar os participantes a identificar situações de risco nos condomínios e reduzir os acidentes de trabalho e os danos em situações de princípios de incêndio. “Os condomínios com menos de 50 funcionários são obrigados a promover, anualmente, treinamento para o designado responsável pelo cumprimento do objetivo da Norma Regulamentadora Número 5. Ou seja, a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho”, sublinha Dayse Pissurno.

Para Itália Amêndola, cursos que ensinem noções de segurança e que preparem os funcionários para lidar com os moradores são os mais importantes. Entusiasta desse incentivo profissional, a síndica do Itaigara já tem em mente as próximas programações nas quais inscreverá alguns de seus funcionários: ela quer matriculá-los nos cursos de “Otimização de recursos na faxina” e de “Atendimento na portaria diurna e noturna”. “Minha dica aos colegas síndicos é que façam esse investimento. É importante, pois ele se traduz em melhoria para todos”.

Na opinião de Dayse Pissurno, gerente da Universidade Corporativa do Secovi-Rio, os cursos são um estímulo ao trabalho não só de funcionários condominiais, mas também de síndicos: “a atualização deve ser continuada, permanente para que o condomínio possa acompanhar as mudanças cada vez mais constantes. E isso vale não apenas para porteiros ou demais funcionários, mas para todos, sejam  síndicos ou empresários”, finaliza.

 

Texto: Aline Duraes
Foto: Eduardo Muruci