Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2013

Segurança que vem do alto

Conheça os principais cuidados e as regras de manutenção para a instalação de pára-raios em condomínios Continue lendo

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Milhares de graus celsius, centenas de milhares de ampères, milhões de volts, esses são em média os valores que traduzem a carga liberada em menos de um segundo por um raio. No Brasil, a incidência dessas descargas elétricas gira em torno dos 50 milhões por ano, e a maior quantidade delas incide sobre o Sul e Sudeste, entre dezembro e março, por conta das fortes chuvas de verão. Em condomínios, os pára-raios são ferramentas de segurança. No entanto, além de devidamente instalados, eles precisam ser vistoriados periodicamente.

Bárbara Fernandes é estudante de jornalismo da Universidade Federal Fluminense, moradora de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e desde pequena tem um medo – relâmpagos e trovões. Quando mais nova, toda vez que chovia, a mãe de Bárbara acalmava a filha argumentando que o prédio onde viviam estava seguro por possuir sistema de pára-raios. “Ainda tenho medo de raios, tempestades e ventos fortes,, não posso negar. Mas a ideia de que um raio enlouquecido vai entrar pela minha janela diminuiu”, conta Bárbara.

De certa forma, ela e sua mãe estavam certas, pois o sistema de proteção contra relâmpagos tem como objetivo blindar o edifício, seus ocupantes e seus conteúdos dos efeitos térmicos, mecânicos e elétricos associados com os relâmpagos. Logo, com o pára-raios devidamente instalado, tanto ela, quanto o restante dos moradores de seu prédio estavam seguros. O que elas desconheciam, no entanto, é que para a segurança estar totalmente garantida, era necessário que o equipamento também estivesse em dia com a vistoria de rotina.

A síndica Thais Lopes é responsável por um condomínio de 54 apartamentos distribuídos em nove andares, e também desconhecia a recomendação. “Não sabia da necessidade da vistoria dos pára-raios. Vou incluí-la na manutenção geral do condomínio”, programa a síndica.

De acordo com o INPE, Instituto Espacial de Pesquisas Espaciais, o sistema funciona de modo que a descarga atmosférica possa entrar ou sair do solo sem passar através das partes condutoras da estrutura ou através de seus ocupantes, danificando-os ou causando acidentes, ou seja, os pára-raios não impedem que uma descarga elétrica caia em determinado local, mas eles interceptam os raios e levam as correntes para o solo por meio dos fios-terra.

Responsável pelo edifício pode responder até criminalmente
O engenheiro eletricista e especialista em conversores estáticos de energia, aterramentos e SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas), Luiz Pereira, salienta que em cidades litorâneas é obrigatória a inspeção visual e medição ôhmica no sistema uma vez ao ano. Em outras localidades uma inspeção visual com laudo técnico de empresa especializada no segmento é primordial.

Pereira esclarece que o pára-raios é instalado para desviar os raios das estruturas das edificações e não serve – como muitos imaginam – para atraí-los. Alerta ainda, que diante de tamanho risco, é primordial que um técnico especializado instale e faça a manutenção devida no equipamento. “Muitas pessoas imaginam que basta um ou mais mastros de ferro com um formato de pé de galinha nas pontas e um cabo saindo destes mastros para servirem de pára-raios. Isso é um engano grave que pode trazer graves consequências ao patrimônio e às pessoas. É importante ressaltar que o responsável pela edificação poderá responder civil e criminalmente por isso”, chama a atenção.

De acordo com Oswaldo Luiz, representante técnico de uma empresa especializada na instalação e manutenção de pára-raios, o atestado técnico avalia a base, o mastro, o estainhamento e esticamento de cordoalhas e malhas, a fixação, pinturas de mastros e isoladores (quando for o caso) e a possível substituição de peças que costumam se desgastar naturalmente principalmente em locais próximos ao mar. Além disso, a iluminação de topo, lâmpada foto célula, também é checada.

O equipamento mais indicado é do tipo Franklin. O sistema radioativo foi desaconselhado e proibido por lei, por ser prejudicial ao meio ambiente. Os custos com a instalação variam de acordo com a altura do prédio; os de manutenção são baseados no número de aterramentos da edificação, mas custa em torno de R$500 a R$800.

Regulamentação
A instalação de pára-raios é obrigatória por lei e em todo o país é regulada pela norma NBR 5419 – Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas e de aterramento elétrico – da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A norma fixa  condições exigíveis ao projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) das estruturas definidas, bem como das pessoas e instalações dentro do volume protegido. Aplica-se a estruturas comuns, utilizadas para fins comerciais, industriais, agrícolas, administrativas ou residenciais, não se aplicando em sistemas ferroviários, sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e de telecomunicações externos às estruturas; veículos, aeronaves, navios e plataformas marítimas.

Em 2012 o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, promulgou uma lei que determina que o laudo técnico dos pára-raios seja exigido pelo Corpo de Bombeiros aos condomínios, para garantir que o sistema contra as descargas esteja atendendo na plenitude a norma. O condomínio que estiver fora da norma será notificado e o não cumprimento da notificação dentro de um prazo fixado acarretará multa. Qualquer pessoa pode solicitar a vistoria do seu edifício, basta comparecer ao quartel do Corpo de Bombeiros mais próximo e pedir a inspeção.

Um sistema de pára-raios inadequado ou com mau funcionamento também pode acarretar problemas com o seguro do prédio, caso porventura ele venha a ser atingido e danificado por um raio. As seguradoras normalmente cobrem os danos causados por raios mesmo quando há problema no SPDA, porém, a falta de manutenção pode gerar atrasos no processo de indenização.

A NBR 5419 não contempla a proteção de equipamentos elétricos contra interferências eletromagnéticas causadas pelas descargas, até porque, os pára-raios sozinhos, não garantem a proteção de eletrodomésticos e equipamentos elétricos. Para isso, o mais indicado é a instalação de um sistema completo, chamado de supressores de linha. Esses equipamentos são instalados no quadro geral de energia elétrica do prédio, protegendo assim interfones, alarmes, circuitos fechados de TV, cercas elétricas, elevadores e iluminação, por exemplo. O morador também pode instalar um aparelho chamado varistor dentro de sua residência protegendo, dessa forma, o circuito elétrico do seu imóvel.

Curiosidades sobre pára-raios
Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar;
Os raios podem chegar ao solo a até15 kmde distância do local da chuva;
Sapatos com sola de borracha ou pneus do automóvel não evitam que uma pessoa seja atingida por um raio;
O pára-raios do seu vizinho não protege o seu prédio;
Os raios matam mais pessoas do que furacões ou tornados, segundo a Agência Americana para Desastres (FEMA);
Em todo o mundo ocorrem cerca de 360 mil raios por hora;
O Brasil é um dos países com maior incidência de raios do planeta;
Espelhos não atraem raios.

 

Texto: André Luiz Barros
Foto: Marco Fernandes