Rio de Janeiro, 11 de março de 2013

Proteja seu condomínio das chuvas de verão

Síndico e moradores devem agir juntos para minimizar qualquer prejuízo. Continue lendo

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O tradicional período das “chuvas de verão” sempre causa transtornos em grandes cidades, seja no trânsito, em áreas de encostas ou dentro de casas com risco eminente de alagamento, por exemplo. Em apartamentos, as infiltrações provenientes das chuvas, também são outra dor de cabeça. Para manter o condomínio seguro dos temporais, é papel do síndico ficar atento em todos os detalhes.

O ano de 2010 não foi um ano legal para o administrador Adilson Ferreira, morador de Niterói. Naquele ano, após uma forte chuva, a rua onde morava alagou e por descuido de um dos funcionários do prédio, o fechamento das comportas da garagem para evitar o alagamento não foi feito, o que repercutiu na inundação geral da área subterrânea e na perda total de mais de vinte veículos, incluindo o dele. “No dia do alagamento, foi um caos total, e o funcionário alegou que estava sozinho na portaria do prédio e não teve como colocar a comporta. Um argumento absurdo, negligência total do funcionário e da síndica, que não me avisou do ocorrido na hora. Acabei descobrindo sozinho do incidente quando fui até a garagem”, conta o administrador.

Adilson não está sozinho, pois todos os anos, dezenas de famílias passam pela mesma situação e acabam perdendo bens materiais e às vezes até vidas por conta das tempestades. No caso de alagamentos de garagens, a perda dos veículos não é o único prejuízo, muitas vezes as estruturas do prédio também ficam comprometidas. É o que explica o engenheiro civil Adriano Monteiro. “Prédios executados sem cálculo estrutural ou construções antigas, com fundações superficiais como baldrames, são mais suscetíveis a riscos de carreamento de material sob as bases, em caso de inundação, o que pode causar trincas e rachaduras e eventualmente, riscos estruturais. Prédios localizados em áreas de encosta sempre são mais vulneráveis em caso de enchentes, mas ainda assim, se corretamente projetados, tendem a não sofrer abalos estruturais pela inundação de garagens”, esclarece o engenheiro.

Por conta disso e dos possíveis prejuízos materiais, é importante que o síndico dedique manutenção periódica a todo o sistema de captação e escoamento de águas pluviais. Todo o sistema deve estar operante. Para isso, de acordo com Monteiro, deve ser realizada a desobstrução e limpeza de calhas e condutores, de caixas de passagem, de caixas de captação do sistema pluvial, do sistema de drenagem, que faz a captação da água do subsolo, e a limpeza e desobstrução dos buzinotes, que são as saídas dos sistemas de drenagem dos muros. Se, eventualmente, existirem canaletas, elas também devem estar limpas e com o direcionamento desimpedido para a área correta.

“Sem a manutenção preventiva, em caso de temporal o condomínio poderá sofrer as consequências de ter uma calha ou outro componente do sistema entupido por excesso de folhas e sujeira. A recomendação é que os condomínios adotem o maior número possível de áreas permeáveis, facilitando a absorção da água pela terra”, sugere.

Outro ponto importante são os poços de captação de água dotados de bomba de recalque para expulsá-la do prédio. É preciso verificar se o poço está limpo, e se as bombas das águas servidas também estão operantes. As redes de drenagem também devem estar sempre limpas e inspecionadas periodicamente, sobretudo nos períodos mais chuvosos do ano.

E aí, chegam as infiltrações
Se de um lado o prejuízo de Adilson veio da garagem, as despesas extras provenientes das chuvas de verão na casa da publicitária Fernanda Mello, também em Niterói, vieram pela janela, com as infiltrações. “Meu prédio é o mais alto da Praia de Icaraí. Logo, com a chuva e o vento, meu quarto e o quarto dos meus pais recebem a chuva pelo buraco do ar condicionado, o que acaba causando infiltração nas paredes. No quarto da minha irmã a chuva entra por um vão na parte debaixo da janela. Já perdi uma prateleira e uma proteção da parte baixa da janela, além de ter gastado com a pintura dos três quartos”, contabiliza Fernanda.

Uma saída encontrada pela família de Fernanda foi a troca do silicone impermeabilizante das janelas de tempos em tempos. Mas Fernanda assume que, quando a chuva é forte, a alternativa é apelar para o uso de panos para cobrir os vãos.

O esforço para se evitar infiltrações no prédio deve ser conjunto entre síndicos e moradores. Ao síndico cabe cuidar da desobstrução e limpeza dos ralos e rede de água pluviais, verificar a eficiência da drenagem dos jardins e jardineiras, proteger as portas sujeitas a “chuva de vento” e cuidar do revestimento das fachadas e empenas. O morador, por sua vez, deve colaborar com a limpeza dos pavimentos comuns e, na sua unidade manter portas e janelas fechadas. Se for morador de cobertura a atenção deve ser redobrada, pois em área reduzida um ralo obstruído pode levar água para dentro da unidade rapidamente.

“A falta de um sistema adequado de impermeabilização, ou mesmo a existência de um sistema de impermeabilização envelhecido que já perdeu a eficiência projetada e um sistema de águas pluviais deficientes, além do uso de plantas inadequadas para jardins e jardineiras são as principais causas dessas infiltrações”, aponta JoséFelipeFilho, gerente de uma empresa especializada no combate a infiltrações.

O síndico pode perceber que o seu condomínio está passando por problemas de infiltrações quando observar o aparecimento de umidade ou vazamento, aplicando um teste na região suspeita com lamina d’água e verificando as instalações. Bolhas, manchas e “suor” nas paredes é um indício de que algo está errado.

Toda a impermeabilização tem um prazo de validade. Este prazo é maior quando a execução obedeceu a um bom projeto, às normas vigentes, às recomendações dos fabricantes dos produtos e executadas por empresa especializada. A verificação deve ser feita em intervalos menores quando o sistema está envelhecido. “A estimativa da vida útil do sistema de impermeabilização pode ser determinada no projeto”, esclarece o especialista, JoséFelipe.

 

Texto: André Luiz Barros
Foto: Marco Fernandes