Rio de Janeiro, 11 de março de 2013

O verão chegou, os insetos também

Saiba como você, síndico, pode cuidar para que o seu condomínio não seja invadido por eles. Continue lendo

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Formigas, baratas, cupins, todos os anos é só chegar o verão para que eles apareçam em maior quantidade e invadam casas e apartamentos. E nem sempre a convivência entre os insetos e os moradores é amistosa. As pragas urbanas podem gerar sérios danos ao patrimônio, podendo atingir a edificação, aparelhos eletrônicos, mobiliário e até o jardim, além de serem um risco à saúde em muitos casos. O clima quente chegou, e os bichinhos apareceram, e agora, o que fazer?

Só foi o ano começar para que baratas começassem a aparecer no apartamento de dona Elizabeth, no condomínio Solar da Ilha, na Praia da Bandeira, Ilha do Governador. Ela e seu filho, praticamente todos os dias, dão de frente com pelo menos uma delas. Sua casa foi dedetizada há um ano e dois meses, mas ela atribui o problema ao abandono do prédio. Desde que o síndico mudou o processo de dedetização, que era periódico, não demorou muito, segundo a moradora, para os animais começarem a visitá-los. “Mantenho a casa limpa e além de dedetizar meu apartamento uma vez por ano, utilizo sempre remédio contra baratas e insetos. Minhas vizinhas também utilizam o praguicida, mas não tem adiantado”, comenta a moradora.

Para o presidente da APRAG, Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas, Carlos Watanabe, medidas simples podem fazer toda a diferença. Segundo ele, precauções como não manter embalagens de produtos (pack de refrigerantes, cervejas, embalagens das caixas de leite, entre outros, que podem servir de abrigo para as pragas), instalar telas mosqueteiras nas janelas, colocar rodinhos de borracha nas portas de entrada, não deixar alimentos sobre a mesa ou pia e manter o ambiente limpo, são ações que dificultarão a entrada e reduzirão a oferta de alimentos para esses insetos. “Adotando medidas preventivas dificultamos a entrada e reduzimos a oferta de alimentos, o que pode reduzir a necessidade de aplicação de produtos”, pondera o especialista.

É importante que o síndico invista sistematicamente em soluções adequadas para o controle dos insetos e vetores, e não apenas quando eles aparecem. O ideal é que os cuidados sejam permanentes. O monitoramento de imóveis próximos a locais mais úmidos, como rios e córregos, devem ser vigiados a cada três meses. O tratamento contra baratas e roedores, por sua vez, deve ocorrer a cada 90 dias. O período entre outubro e novembro é o mais indicado para ações preventivas contra a proliferação dessas pragas, especialmente por este ser o período de reprodução. A indicação é para que a aplicação dos inseticidas seja feita antes que os animais se multipliquem. “É neste período que a atividade metabólica dos insetos aumenta, especialmente pela maior oferta de água (período das chuvas)”, explica Watanabe.

A presença dessas pragas causa prejuízos não só ao imóvel e ao mobiliário, mas também à saúde, já que insetos como mosquitos e vetores mecânicos, como baratas e formigas, podem causar uma série de doenças ao ser humano.

Existem produtos caseiros que têm ação repelente (como cravo da índia, folhas de louro, detergentes domésticos, citronela), mas é preciso cuidado com os produtos sem identificação, pois alguns deles podem ser tóxicos. Quando o nível de insetos for muito alto, já num nível de infestação, o melhor é procurar empresas especializadas no combate.

Escolhendo a empresa correta
Existe uma série de formas de tratamentos para se erradicar, ou pelo menos afastar, pragas urbanas de residências. Diversas empresas têm utilizado técnicas como barreiras químicas, insuflação na rede elétrica e tratamento do madeiramento em contato com alvenaria – no caso de cupins. Mas como escolher esta empresa?

Especialistas indicam que é trivial que o síndico do condomínio verifique se a empresa possui Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária e se está devidamente registrada em um Conselho Profissional (CREA, CRQ, CRMV, CRF, CRBIO), além disso, é muito importante que ela tenha um Responsável Técnico.

O consumidor deve sempre receber a proposta por escrito, contendo os métodos de tratamento, produtos utilizados e garantias. É importante solicitar a empresa, comprovantes de treinamentos dos funcionários que irão executar a atividade de controle de pragas.  O consumidor pode consultar também o site da APRAG e verificar se a empresa é associada.

Texto: André Luiz Barros
Foto: Marco Fernandes