Rio de Janeiro, 11 de março de 2013

Mudança sem transtornos

Saiba quais são os procedimentos corretos para evitar confusões e dificuldades na hora das mudanças. Continue lendo

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O dia da mudança é um dos mais estressantes na vida de qualquer pessoa e, é claro, na de qualquer síndico. Para novos ou antigos moradores, é sempre chato ter que encaixotar todos os pertences e transportá-los. Mas para o síndico, a preocupação é outra: é importante ficar de olho no procedimento, evitando que a mudança danifique qualquer estrutura do prédio ou complique a rotina dos demais condôminos. São comuns relatos de falta de controle nos acessos e nas portarias; estacionamento e hall de entrada tumultuados; além do desconforto de ter um elevador a menos, pois é preciso destinar um deles exclusivamente à mudança. Para que tudo corra bem, existem algumas regras que devem ser seguidas dos dois lados.

O vice-presidente do Secovi Rio, Manoel Maia, explica que a primeira providência a ser tomada pelo novo morador é pedir uma cópia do regimento interno do condomínio para conhecer as regras. Normalmente, há dias e horários específicos, estipulados de acordo com a realidade de cada um, para que o procedimento ocorra sem grandes transtornos. “Para não atrapalhar a vida dos condôminos, o dia mais comum de mudança é o sábado, mas, em edifícios com muitas unidades, ela pode acontecer também durante a semana”, explica ele.

Maia diz ainda que avisar com pelo menos uma semana de antecedência é fundamental para que todos possam se organizar de forma eficaz. A regra vale para quem chega e para quem sai. “Ter um funcionário do condomínio acompanhando toda a mudança também é essencial. Ele deve fiscalizar para que não ocorra nenhum tipo de dano aos elevadores e às dependências do prédio. Problemas deste tipo são muito comuns durante a mudança, principalmente nos casos de saída do condomínio. O morador que está indo embora pode assumir uma postura de desleixo. Se isso ocorrer, ele é quem deve arcar com o prejuízo e não os demais condôminos”, completa ele. O funcionário também deve estar atento à capacidade dos elevadores e ao tamanho e peso dos objetos que estão chegando ou saindo.

No Condomínio Casablanca, a síndica Ângela Marques afirma que, em quatro anos de mandato, nunca teve grandes problemas com o assunto, pois o prédio possui 20 unidades e três elevadores. Pelo mesmo motivo, as regras não são tão rígidas. No entanto, graças a sucessivas mudanças, o elevador de serviço vai precisar de reparos: “o teto acabou danificando. Mesmo com um funcionário acompanhando sempre, fica difícil dar conta de todos os detalhes. Vamos ter que reformá-lo”, explica ela. No prédio, situado numa movimentada avenida de Botafogo, há ainda alguns transtornos em relação ao estacionamento dos caminhões. “Nós não temos espaço para que o veículo da mudança se acomode dentro do prédio, então, ele precisa ficar na calçada. Por isso mesmo, tudo precisa ser rápido e agendado com antecedência para evitar confusões e até multas. O ideal é usar o bom senso”, afirma ela, que também proíbe mudanças muito cedo, à noite e aos domingos, para garantir a comodidade dos demais condôminos.

Já no Edifício Lótus, em Jacarepaguá, o esquema é um pouco diferente. Com 294 unidades, foi necessário separar uma das entradas do prédio apenas para mudanças e entregas de eletrodomésticos e móveis. Como o prédio é novo, o grande número inicial de novos moradores motivou a criação da regra. No Lótus, o regimento interno prevê que o processo deve ser comunicado com pelo menos dois dias de antecedência e feito em horários estratégicos: das 8h às 12h e das 13h às 18h. Assim, pelo menos um zelador do condomínio pode acompanhar tudo. O síndico Servolo Machado só teve problemas uma vez: “tivemos uma moradora que se esqueceu de agendar e chegou no meio da tarde. A sorte é que não tinha nada marcado para este dia, então, abrimos uma exceção” explica ele, que também cita o bom senso como o ideal nestas situações: “nada é totalmente proibido, desde que haja um diálogo saudável e que tudo se resolva de uma maneira pacífica e boa para todos”. O síndico conta ainda que, certa vez, uma moradora trouxe um sofá tão grande que precisou ser içado pela varanda. Para tal, uma empresa especializada foi contratada. Toda a operação durou cerca de 15 minutos. Apesar de raros, casos assim também devem ser comunicados com antecedência à administração do prédio para que não ocorram surpresas.

A jornalista Bárbara Honkis acaba de se mudar para o Edifício Lótus e diz que não teve problemas no dia da mudança. De início, estranhou tantas regras, pois sempre morou em prédios pequenos. Teve apenas um contratempo desde a sua chegada: “uma mercadoria que eu havia comprado (móveis planejados) foram entregues, por coincidência, no mesmo dia em que outro morador fazia mudança. Por conta disso os entregadores tiveram que voltar mais tarde, com chances de não entregarem na data, mas no fim deu tudo certo”, afirma ela.

O síndico do Lótus, Servolo Machado, lembra ainda que demonstrar cordialidade e gentileza é imprescindível. Nos dias de mudança, ele instrui toda a equipe administrativa a receber bem os novos condôminos e a se despedir dos anteriores. “Como são muitas unidades, às vezes, eles precisam fazer isso por mim. Dar tchau a um morador antigo é importante, pois os prédios são comunidades. E mais importante ainda é receber bem quem está chegando para que ele se sinta à vontade. Isso também é essencial para um futuro bom convívio”, diz.

Manoel Maia, do Secovi Rio, lembra ainda que a atenção à segurança do condomínio deve ser redobrada durante a mudança. Vigiar as entradas e checar a empresa contratada, por exemplo, são algumas regras. “As portas ficam abertas por mais tempo e há sempre a presença de pessoas atípicas nas áreas comuns. Por isso, é bom acompanhar pelas câmeras e reforçar a segurança, até mesmo para evitar que estranhos entrem no edifício durante o processo. É melhor prevenir do que remediar”,

 

Dicas para o síndico administrar bem a mudança

> Estipular regras no regimento interno sobre a mudança e oficializá-las para não ter problemas futuros;

> Dentro da regra, estipular horários e datas mais adequados à realidade de cada condomínio;

> Redobrar a segurança durante o procedimento;

> Ter sempre um funcionário acompanhando a mudança para evitar danos ao edifício;

> Orientar aos novos moradores que avisem com antecedência o dia programado;

> Casos atípicos, como içar móveis, também devem ser comunicados com antecedência;

> O síndico deve procurar se despedir do morador antigo e receber bem o novo para criar uma boa relação, afinal, a primeira impressão é a que fica;

> É importante ligar ou mandar um e-mail ao morador que vai se mudar cerca de dois dias antes para confirmar tudo;

> Alertar àqueles que vão se mudar sobre a capacidade máxima do elevador de serviço.

 

Texto: Mario Camelo
Foto: Marco Fernandes