Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2014

Para evitar o botão de emergência

Quando o assunto é elevador, investir em modernização significa poupar com reparos e se prevenir de transtornos Continue lendo

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Texto: Gabriel Menezes

Muito mais do que um item de comodidade, o elevador é essencial para o funcionamento de muitos condomínios, especialmente para os moradores com dificuldades de locomoção. Mantê-lo com o seu funcionamento em dia é uma obrigação do síndico. É ele quem deve contratar uma empresa de manutenção registrada nos órgãos competentes e adequar os equipamentos às normas técnicas e legislação vigente. “A manutenção preventiva é de extrema importância, pois este é o momento em que são realizados os ajustes e regulagens necessárias, inspecionados os diversos dispositivos de segurança e, ainda, avaliada a necessidade de substituir ou não determinados componentes. Se o equipamento passar por uma manutenção adequada e for utilizado de forma correta, ele continuará em uso por muitos anos” diz Marcello Delano, gerente regional da Atlas Schindler, empresa especializada em elevadores.

Segundo ele, questões como oscilações bruscas de energia e infiltrações de água – causadas por chuvas ou vazamentos – são as responsáveis pela maior parte dos chamados da assistência técnica. Já as manutenções preventivas são mensais. “O serviço de manutenção obedece a um rigoroso roteiro de testes e simulações em diversos componentes, serviços de lubrificação e limpeza para garantir o funcionamento adequado e seguro do aparelho”, explica.

As vantagens da modernização
Além da manutenção, uma opção para os condomínios mais antigos é a modernização dos elevadores. Fora a melhoria do desempenho dos equipamentos, mais conforto e segurança aos usuários, a medida gera também economia de energia. Existem dois tipos de modernização: a estética e a tecnológica. Na estética, são trocados peças e componentes visíveis aos usuários, como piso, revestimento da cabina e porta. Já na tecnológica, há alterações em elementos como a máquina de tração e o quadro de comando. “Entre as principais vantagens da modernização tecnológica estão a economia no consumo de energia e a troca de peças, que passa a ser menos frequente. Em relação ao designer, há a melhora na aparência do condomínio, que, além do maior conforto para os condôminos, valoriza os imóveis”, diz o gerente regional da empresa de elevadores.

Síndicos de edifícios administrados pela APSA que conseguiram fazer a modernização, não se arrependem. No Condomínio Samurai, na Tijuca, essa era uma vontade que a síndica Vera Sampaio tinha há mais de 10 anos. Depois de muitas conversas com os condôminos, ela finalmente conseguiu realizar o projeto recentemente. “Nossa casa de máquinas está linda, toda limpa, organizada e moderna. Nossos elevadores, mais seguros, com aço escovado, espelhos e ventiladores nas cabinas, que valorizaram os nossos imóveis. Valeu a pena nosso sacrifício”, diz Vera.

Ela conta que o valor pago pela modernização dos três elevadores foi de R$214 mil para a parte técnica e R$ 34 mil para os revestimentos das cabinas. “É um valor alto, mas conseguimos dividir em 24 meses. O primeiro elevador ficou pronto com nove meses de pagamento, o segundo com 15 meses, e o terceiro com 22 meses. A dica é pedir orçamento, negociar com a empresa um pagamento suportável para uma cota extra e chegar na assembleia munido dos folhetos com os modelos das cabinas novas. Nenhum morador resiste”, diz.

Investir para poupar gastos recorrentes
No condomínio Montpellier, na Tijuca, a decisão de fazer a modernização dos elevadores foi tomada depois de uma série de defeitos frequentes, que, além dos transtornos aos moradores, provocava gastos excessivos com peças de reposição. “Nossos elevadores antigos tinham 35 anos de uso. Os problemas eram constantes e, às vezes, levava dias para consertá-los. Modernizá-los era uma demanda antiga, mas, devido ao alto custo, as administrações anteriores sempre priorizavam outras necessidades. Em nossa gestão, decidimos em assembleia aprovar a cota extra para realizá-la”, diz Marcia Costa, síndica do condomínio.

Ela explica que, antes de iniciar uma licitação para contratar a empresa que faria o serviço, o condomínio contratou um consultor técnico, que orientou e elaborou uma apostila contendo a especificação do que seria necessário para os elevadores. Dessa forma, foi possível padronizar e comparar melhor os orçamentos. “A reforma, incluindo a consultoria, modernização e o embelezamento das cabinas dos dois elevadores, custou em torno de R$120 mil, com sinal e o restante parcelado, pagos com o valor arrecadado mensalmente nas cotas extras”, frisa. Um dos elevadores já foi modernizado, tendo o serviço durado 45 dias. A reforma do outro está prevista para setembro.

O que diz a lei
Existem diversas leis no Rio de Janeiro que disciplinam a fabricação e o uso dos elevadores. Além disso, os contratos de compra contam com prazos de garantia e normas de manutenção. Em caso de acidentes ou problemas com o equipamento, a responsabilidade pode recair sobre o condomínio se alguns desses itens não estiverem em dia. Entre as determinações legais, estão a instalação de luzes de emergências, botoeiras em braile e placas com normas de conservação e segurança dentro do elevador.

 

DICAS PARA MANTER O ELEVADOR EM PLENO FUNCIONAMENTO
* A manutenção deve ser feita por uma empresa com uma estrutura adequada de atendimento, o que inclui uma equipe de técnicos treinada, um engenheiro responsável e um atendimento 24 horas. É importante verificar se ela está licenciada para prestar o serviço;

* Viabilizar, o quanto antes, a troca de peças sempre que apontada a necessidade durante a manutenção preventiva;

* Verificar a existência de interferências como infiltração de água seja no poço, na casa de máquinas ou mesmo nos andares;

* Respeitar o limite de carga do elevador.  Além de comprometer a segurança dos usuários, o excesso de peso pode gerar o desgaste prematuro dos componentes;

* Avaliar o funcionamento de interfones e alarmes e informar à empresa de assistência técnica sobre possíveis falhas;

* Utilizar o acolchoado de proteção quando for transportar objetos, principalmente em mudanças, para evitar danos na cabina;

* Durante a manutenção, colocar o elevador fora de uso, com as devidas placas de sinalização.