Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2018

Circuito fechado de televisão e vídeo

Um importante aliado na segurança dos condomínios Continue lendo

cftv
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 Juliana Marques

A segurança é, hoje em dia, uma preocupação de todos, e os investimentos em itens que zelam pela proteção dos moradores tem ganhado reforço nos orçamentos dos condomínios residenciais. Os síndicos, por sua vez, devem estar atentos aos tipos de equipamentos, manutenção e execução do serviço, pois o objetivo é deixar os moradores sempre seguros.

Mesmo com porteiros, cercas elétricas, alarmes e outros tipos de dispositivos, nem sempre é fácil garantir que todas as áreas do perímetro do condomínio estejam seguras. Justamente por isso é indispensável contar com um sistema eletrônico de segurança, pois ele detecta e avisa quando alguma irregularidade acontece.

Os sistemas eletrônicos envolvem subsistemas, que são as centrais de alarmes, os controles de acesso (vídeo-porteiros, leitores de cartões etc.) e os CFTV (circuitos fechados de televisão e vídeo), capazes de garantir toda a vigilância necessária para evitar qualquer aproximação indesejada ou tentativa de invasão no condomínio.

O CFTV é um circuito fechado de câmeras que, posicionadas conforme a necessidade do local, transmite as imagens para um ou vários monitores de televisão. Os equipamentos básicos utilizados nos circuitos fechados são câmeras de vídeo e monitores de televisão. São necessários, ainda, equipamentos de mixagem para a gravação e apresentação das várias imagens num mesmo monitor, bem como gravadores das imagens geradas para arquivo. Há vários tipos de câmeras no mercado, como as próprias para uso interno e outras para uso externo. As mais utilizadas são as câmeras preto e branco, que capturam melhor a imagem em situação de baixa luminosidade. Já as coloridas, identificam mais rapidamente as pessoas.

No entanto, o fator fundamental para o bom funcionamento de um sistema de CFTV é o posicionamento ideal das câmeras. Deve-se evitar colocar a câmera onde a luz – seja solar, de holofotes ou luminárias – possa prejudicar a qualidade da imagem. É necessário planejar, também, um sistema de alimentação independente para o CFTV, utilizando baterias auxiliares, para o caso de interrupção de energia. Importante também lembrar que o usuário dos equipamentos de segurança seja treinado pela própria empresa instaladora, ou em cursos especializados. E que ninguém – seja morador, funcionário ou visitante – possa desrespeitar os procedimentos de segurança.

Tipos de equipamentos e manutenção

Um sistema de CFTV é composto basicamente por três elementos: equipamento de captação de imagem e áudio, cabeamento e equipamentos de gerenciamento e armazenamento. Segundo Marcos Prestes Falcão, técnico em segurança eletrônica, atualmente existem dois tipos de equipamentos de CFTV: analógico e digital. Os analógicos são os mais comuns porque são mais antigos e o custo é menor. Nele, as câmeras são conectadas aos dispositivos centrais e as imagens são então exibidas em monitores do tipo VGA ou LCD.

Já o sistema digital, apesar de ter um custo maior, apresenta uma qualidade de imagem muito superior, pois nele são utilizadas câmeras com tecnologia IP, que são ligadas através de cabos UTP (cabo de rede) ao terminal central. As imagens capturadas podem ser disponibilizadas de maneira remota, através de monitores LCD HD, Full-HD e 4K. “Ambos os sistemas permitem o acesso remoto via rede de internet com navegadores WEB e aplicativos Android/iOS,  através de computadores, celulares e tablets. Apesar dos equipamentos digitais serem um pouco mais caros, possuem uma qualidade muito maior. Esta tem sido a tendência do mercado atual e acredito que será unânime no futuro”, opina Marcos.

Todo condomínio deve contratar uma empresa especializada para instalar os equipamentos e fazer a manutenção. Há empresas que desenvolvem projetos personalizados de segurança, levando em conta as características do local, pontos mais vulneráveis, e apontando os equipamentos e estratégias mais adequados. Os circuitos fechados de televisão para condomínios de médio ou pequeno porte, por exemplo, podem custar, em média, R$10 mil.

Os sistemas de CFTV podem ser vistos como “equipamentos livres de manutenção” já que não possuem partes móveis. Mas na prática isto está bem longe da verdade. De qualquer forma existem diversos procedimentos que podem ser feitos para manter um sistema de CFTV na sua melhor condição. O ideal é analisar com atenção o contrato de manutenção com a empresa fornecedora que, normalmente, inclui a manutenção preventiva e/ou corretiva.

Embora os sistemas atuais apresentem bons resultados em relação à qualidade da imagem, esta pode decair radicalmente em alguns meses e os motivos podem ser bem variados, desde a má instalação e manuseio dos equipamentos até mesmo pela instabilidade de energia no local. Para o técnico Marcos Falcão, um modesto programa de manutenção preventiva pode assegurar que o sistema continue fornecendo a mesma qualidade e desempenho do dia em que foi instalado. “Jamais deve ocorrer a surpresa de descobrir que o sistema de CFTV não estava funcionando quando algum evento importante acontecer. Por este motivo, a manutenção dos sistemas de CFTV deve ser uma das principais preocupações do instalador e do síndico”, alerta.

A manutenção corretiva deve ter uma resposta rápida e solução completa, pois é a segurança dos moradores que está em jogo. Por isso, deve ser dada como prioridade sobre a manutenção preventiva. O síndico pode ajudar neste sentido informando o tipo de problema apresentado para que o técnico de manutenção possa ser enviado com os equipamentos, acessórios e ferramentas adequadas.

Já a manutenção preventiva deve ocorrer a cada seis meses de acordo com o tipo de equipamento. Normalmente, são feitos testes completos de funcionamento, gravação, reprodução e resposta. Conectores em mau estado ou com mau contato devem ser trocados e os equipamentos devem ser limpos e lubrificados, para evitar que qualquer sujeira ou poeira fique acumulada. O ideal é que a planilha com os itens verificados durante a manutenção seja assinada pelo técnico e pelo síndico do condomínio logo após a visita ao local.

Segurança em primeiro lugar

O aviso “Sorria, você está sendo filmado” não é exclusividade de imóveis comerciais. Especialistas em segurança afirmam ser crescente o investimento de condomínios residenciais na instalação de câmeras de vigilância. O diretor de uma empresa especializada em segurança patrimonial, Wellington Antunes Freitas, afirma que a procura pela instalação de sistemas de segurança interna nos condomínios residenciais, como o CFTV, tem aumentado à medida que os níveis de violência na cidade são vivenciados. “Sem dúvida nenhuma os assaltos praticados por falsos prestadores de serviços e a invasão indevida por esses criminosos são os tipos mais comuns de violência praticados nos condomínios residenciais”, afirma Wellington.

O Rio de Janeiro vem passando por um grave problema econômico, o que reflete diretamente na segurança pública e no aumento dos índices de criminalidade no estado. Em comparação ao primeiro bimestre de 2017 houve um aumento de 70% em roubos a residência no estado do Rio de Janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Na opinião do especialista em segurança, a instalação de um CFTV pode ser um importante aliado no plano de segurança dos condomínios. “Mais que a instalação de um circuito interno de vigilância é necessário investir em treinamento. Porteiros bem treinados e moradores conscientes são fundamentais para a boa prática da segurança predial. Os síndicos devem sempre avaliar as prestadoras de terceirização de mão de obra que pretendem contratar, adquirir equipamentos de segurança e controle de acesso com empresas certificadas”, esclarece o especialista.

No condomínio Paula Barros, localizado na Vila da Penha, o circuito interno de TV e vídeo foi instalado há sete anos com a concordância total dos moradores em Assembleia. No local estão 16 câmeras que monitoram internamente as áreas comuns do prédio, como elevadores, playground, garagens, acesso à portaria (interna e externa), além dos fundos do prédio. Segundo o síndico Gilson Outeiro, a necessidade da instalação do sistema veio principalmente da preocupação com a segurança dos moradores, mas também serviu para monitorar a preservação dos bens do condomínio e sua estrutura. “Com o circuito interno monitoramos o nosso prédio 24 horas por dia. Podemos observar alterações internas e solucioná-las da melhor forma possível, como por exemplo, danos causados por moradores ou visitantes e detectar possíveis infrações ao regulamento interno etc. Como as imagens ficam armazenadas por um tempo, posso verificá-las a qualquer momento caso precise analisar alguma anormalidade”, explica o síndico.

Outra questão percebida pelo síndico é que somente pelo fato de as câmeras estarem ali, muitas pessoas com más intenções já se sentem coagidas e evitam a ação, com medo de serem pegas. Isso faz com que o número de ocorrências diminua significativamente, o que gera uma segurança maior para todos os moradores.  “Na minha opinião, a maior vantagem em adquirir um sistema de CFTV é a sensação de segurança e tranquilidade sentida pelos moradores e funcionários, já que o monitoramento constante inibe atos de vandalismo e violência”, defende o síndico.

Segundo Gilson, antes de fazer qualquer tipo de instalação o síndico deve ter a certeza da real necessidade e das vantagens que o CFTV pode trazer para o seu condomínio a fim de evitar gastos indevidos. “Minha sugestão é solicitar, no mínimo, três orçamentos a empresas habilitadas e com experiência comprovada e em seguida apresentá-los aos moradores para aprovação em Assembleia. Este é um assunto que merece a preocupação de todos”, finaliza o síndico.

De uma maneira geral, todas as áreas comuns que não tenham uma finalidade mais restrita podem receber câmeras. Há espaços no condomínio que devem ser sempre filmados, as chamadas áreas de acesso, como portarias, entradas e saídas de garagens, áreas de grande trânsito, como o hall social e de serviço, entradas e saídas de escadas, e os elevadores também merecem monitoramento, principalmente calculando o ponto cego entre eles. As áreas particulares de cada condômino e as áreas comuns com finalidades mais restritas não devem receber as câmeras, como por exemplo, o interior dos imóveis, vestiários, banheiros e saunas. Os locais devem ser definidos em Assembleia, buscando sempre respeitar a privacidade de todos.

Para garantir o direito à privacidade, o acesso às imagens captadas pelas câmeras do circuito interno de TV deve ser bastante restrito. Em geral, apenas o síndico, os porteiros e zeladores possuem esse acesso, para fins de monitoramento no cotidiano. Eventualmente, em casos de danos ao patrimônio ou de suspeitas de crimes, as imagens podem ser solicitadas ao síndico para averiguação da polícia. Nesses casos é importante que sejam especificados os períodos de gravação necessários, para que os condôminos não sejam expostos.

A instalação de câmeras em condomínios é uma medida de segurança importante e que deve ser levada muito a sério. Outro assunto essencial para o condomínio é a definição das regras de convivência que os condôminos precisam seguir após a instalação desses equipamentos. Deixar os moradores a par de seus deveres e direitos é fundamental para o bom uso do sistema. O ideal é que tudo esteja devidamente descrito no regulamento interno do condomínio para que todos possam ter acesso e se sintam mais seguros.