Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2018

Bem-vinda, primavera!

Que tal aproveitar a estação mais colorida do ano para fazer florescer o jardim do seu condomínio? Continue lendo

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Aline Durães 

Pesquisas apontam: flores fazem bem à saúde. O contato com a natureza no geral minimiza o estresse, melhora a concentração e pode ajudar a reduzir inflamações e doenças respiratórias. Quando incorporadas ao design urbano, as flores estimulam a criatividade e inspiram tranquilidade. A correria das grandes cidades, entretanto, com seus arranha-céus, blocos de concreto e poluição cada vez mais nociva, nem sempre permite que a gente conviva com jardins tanto quanto nossa saúde gostaria.

Jardim pode se tornar um atrativo no condomínio

Pensando nisso, alguns síndicos driblam os entraves da vida urbana e investem pesado na criação e manutenção de flores em jardins e áreas verdes em seus condomínios. Esses projetos paisagísticos ganham ainda mais força na época da Primavera, a tão-esperada estação em que ocorre o florescimento de várias espécies de plantas. “A primavera é a transição entre o período mais frio e o período mais quente do ano. Dessa forma, no inverno, as plantas costumam guardar suas energias e, logo nas primeiras semanas de setembro, começam a frutificar e florir. É na primavera também que os polinizadores dos vegetais estão em plena atividade”, explica Ceiça Silva, designer e diretora da Ideia, empresa especializada em projetos paisagísticos para condomínios.

No Condomínio Palazzo di Mantova, com 90 unidades, na Tijuca, o jardim é um dos maiores atrativos. Localizado na parte da frente do condomínio, ele dá as boas-vindas a visitantes e moradores. “O jardim é bonito e não é porque é do nosso prédio que estou dizendo isso não. As pessoas falam, elogiam. À medida que a gente foi investindo aqui, os condomínios próximos se inspiraram e fizeram o mesmo em seus jardins. Hoje, é mais gostoso andar na calçada, passear pela rua”, conta Adílson Augusto, síndico há quatro anos.

Para que as flores deem vida a seu condomínio, um bom começo é pensar em um jardim para abrigá-las. Se o seu condomínio ainda não dispõe do espaço, saiba que criar um é mais fácil do que você imagina. Planejamento e disciplina, aliados à boa vontade, podem fazer o projeto sair do papel e se transformar em uma iniciativa de grande sucesso.

Para isso, o primeiro passo é decidir o tipo de jardim que o condomínio terá. Será ornamental e contemplativo ou integrará os espaços de lazer e convivência dos condôminos, sendo contíguo a playgrounds, quadras e piscinas? A resposta para essa pergunta será especialmente importante quando o gestor for pensar nas regras de uso do espaço.

Começando do zero

Após essa escolha, o síndico deve analisar a área disponível para a criação do jardim. Aspectos como tamanho e localização devem ser levados em conta nessa avaliação. Isso porque um jardim que será passagem de pessoas tem exigências totalmente distintas daqueles mais afastados. “O mais importante na hora de se pensar um jardim é o seu entorno. Um jardim deve se encaixar com a arquitetura ao seu redor para que possa ter um resultado perfeito entre paisagismo e arquitetura”, conta Candido Fagundes, paisagista, arquiteto e sócio de Ceiça na Ideia Paisagismo.

Um item importante a ser considerado na idealização do jardim é o solo. Como ele fornece água e nutrientes para que as flores cresçam, quanto mais fértil ele for, maiores as chances de elas se desenvolverem em toda sua plenitude. Geralmente, reconhece-se um bom solo facilmente: ele é escuro, encorpado e drenado. Mas pode acontecer de o terreno da unidade não ser tão fecundo. Neste caso, não desanime: o uso de adubo, palha ou folhas secas pode ajudar a enriquecer o solo e, assim, viabilizar o jardim. “Aqui, usamos adubo orgânico. Evitamos qualquer produto industrializado”, divide o síndico Adílson.

Após a avaliação do solo, chegou a hora de pensar nas flores que comporão o jardim. Tenha em mente que cada ambiente abriga melhor determinadas espécies. Muitos síndicos acabam optando por aquelas que florescem em várias estações do ano, como eugênias e fícus. No Palazzo di Mantova, a opção foi por flores e plantas mais resistentes. “Tem orquídea, azaleia, flor do deserto, e a grama é cabelo de urso”, explica Adílson Augusto. “Para crescerem em condomínios com o clima carioca, outros tipos indicados são a Dietes bicolor (moreia), Alpinia purpurata (alpínia), Anturios (sombra) e Heliconia sp (helicônias)”, sugere Candido. “Em jardins feitos sobre lajes, é importante tomar cuidados com as raízes, para que não provoquem danos à estrutura. Já no caso de jardins verticais, deve-se usar vegetais com características pendentes, mas também deve ser observado se o jardim é de sombra ou de sol. Esse fator é o mais importante na hora de escolhermos as espécies que crescerão ali”, completa a especialista Ceiça Silva.

Na hora de escolher as espécies, outros critérios relevantes devem ser levados em conta, especialmente em um condomínio. É necessário, por exemplo, prever se as flores eleitas crescem muito ou se têm potencial para atrapalhar o trânsito dos condôminos nas áreas comuns. Além disso, há de se pensar na harmonização de suas cores, texturas, épocas de plantio e colheita, formas e estruturas.

O trabalho pode ser complexo e, neste caso, um profissional habilitado pode ser de grande valia. Contratar um paisagista, em especial na fase de idealização e implantação do jardim, evita erros e retrabalhos, otimiza recursos — inclusive financeiros — e garante um resultado de excelência. “Um profissional especializado é de fundamental importância para a elaboração correta de um projeto ou a execução de um jardim. Os benefícios vão desde a questão do planejamento financeiro até a escolha correta de vegetais, ponto de maior incidência de erros nos jardins de condomínio”, destaca Candido.

O profissional foi um item crucial para o sucesso do jardim e das flores do Palazzo di Mantova. “O jardim era maltratado, não tinha quem cuidasse dele. Contratamos então um jardineiro com mais de 18 anos de experiência. Ele vem todos os dias, com exceção de sábado e domingo. Rega, replanta, poda, coloca mudas e trata as pragas. A diferença em relação ao que era antes é gritante”, defende o gestor Adílson.

Cuide do seu jardim

Para que o jardim tenha vida e beleza ao longo de todo o ano, são necessários alguns cuidados frequentes. E eles variam de acordo com a estação. Na primavera e no verão, a atenção deve ser focada no controle de pragas; a probabilidade de elas se proliferarem é maior no calor e na umidade. O outono é o período ideal para a limpeza de canteiros e para a adubação química. Já o inverno torna propícia a realização de podas de limpeza.

Uma das ações mais importantes para a manutenção de um jardim é a renovação da matéria orgânica do solo. Com a aplicação inteligente de material orgânico sobre o solo, a umidade da terra de mantém e, assim, flores e plantam continuam a crescer.

Outro ponto do qual não se pode descuidar é a rega. Ao contrário do senso comum, nem toda vegetação precisa de água diária ou abundantemente. Regar bem é regar certo. E cada espécie de flor tem sua própria necessidade. Seja como for, a regra geral é evitar regar o jardim no meio do dia. As plantas absorvem mais e melhor quando regadas cedo ou à noite.

Por último, se seu desejo é manter os botões sempre abertos e coloridos, a dica é remover todas as flores secas para que a planta possa voltar a florescer. Caso contrário, em vez de flores, a planta se concentrará em produzir sementes e demora a se abrir novamente. “A manutenção de um jardim vai variar de acordo com seu tamanho e complexidade. Há casos em que uma visita ao mês é suficiente; em outros, é necessário um profissional diário no local. Por isso, o ideal é que um profissional especializado seja consultado para diagnosticar a necessidade de cada ocasião. Também a manutenção deve ser sempre realizada por profissionais capacitados. A poda errada de uma planta, por exemplo, pode vir a matá-la e acabar com seu jardim”, finaliza Ceiça Silva.