Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2016

Planejamento para evitar aborrecimento

Com a aproximação do fim do ano, é hora de os síndicos planejarem o orçamento do condomínio para 2017 Continue lendo

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Gabriel Menezes

Já diz o ditado que o combinado não sai caro. Na hora de planejar o orçamento do condomínio não é diferente, e, com aproximação do fim do ano, é hora de estimar os gastos para 2017 e evitar surpresas desagradáveis como cotas extras desnecessárias.

Em Vila Isabel, no Condomínio Solar da Candelária, o síndico Cleber Fabiano usa a experiência profissional como administrador em prol do planejamento orçamentário coletivo. “Não poderia ser de outra forma. O condomínio é uma microempresa com parcos recursos. O administrador que não fizer o planejamento vai bater com os burros na cerca”, diz.

Ele conta que, ao fazer o planejamento anual, tem como base os gastos do ano anterior e faz projeções dos reajustes de contas como água, luz e folhas de pagamento. “Não adianta fazer um planejamento com valores irreais. Isso aumenta a inadimplência e a reclamação dos moradores. Busco sempre formas de aumentar a economia antes de apelar para as cotas extras. Por exemplo, antes fazíamos a reposição de materiais mensalmente, agora fazemos de dois em dois meses”, explica Fabiano.

Outra prática do síndico é buscar sempre negociar os melhores preços com os fornecedores e prestadores de serviço do condomínio. “A crise é para todo mundo. A angústia hoje é a incerteza da liquidez. A inadimplência é um fantasma que ronda as empresas”, conclui.

As despesas determinam a receita

Lidar com os recursos financeiros de um condomínio, independentemente de seu porte ou destinação, é um dos grandes desafios do síndico. E o seu sucesso ou fracasso nessa área influenciará a vida de todos os moradores. Esse é um dos motivos pelo qual o planejamento é fundamental.

De acordo com o gerente de negócios da APSA, Marcelo Eller, os condomínios se utilizam de um recurso simples para a elaboração dos seus respectivos orçamentos: a sua receita será consequência direta das despesas que foram orçadas. “A maior dificuldade está na obtenção dos dados, na sua consolidação e na atenção em não deixar de fora qualquer despesa ou até orçá-la em valores que não correspondam com a realidade ou até com o planejado”, explica Eller.

Ele ressalta que a falta de um planejamento ou um feito de forma equivocada pode acarretar em déficit orçamentário, saldo devedor no condomínio e consequentemente a falta de recursos para cumprir suas obrigações. Essa situação pode provocar também um aumento na inadimplência entre os moradores, por conta das constantes cobranças de cotas extras. “A inadimplência causa desequilíbrio na arrecadação mensal do condomínio e por consequência atrapalha o que foi planejado. Se existe inadimplência contumaz no condomínio, estes valores devem constar na previsão orçamentária e serem suportados pelos demais condôminos, afinal, as contas mensais precisam ser honradas. A verdade é que ninguém gosta de ser pego de surpresa por desagradáveis cobranças de cotas extras, principalmente para cobrir eventual déficit originado em função de um orçamento mal dimensionado ou até por inadimplência”, conclui o gerente.

Economia com consciência

O especialista em finanças e economia, Alexandre Prado, explica que até para cortar gastos é preciso planejar bem. “A atual crise econômica do país nos induz a reduzir despesas. No entanto, a situação não é tão simples assim. Não se trata de sair cortando despesas, trocando prestadores de serviços por outros mais baratos e demitindo colaboradores.  Essas ações, em um primeiro momento, podem parecer interessantes. Todavia, demissões custam dinheiro e, se o colaborador for antigo, os gastos serão substanciais. Também há que se considerar a substituição de prestadores de serviços pode influenciar diretamente na qualidade do trabalho prestado”, argumenta.

Segundo ele, é fundamental uma constante pesquisa de preços com outras empresas que prestam serviços de mesma natureza para saber se o atualmente cobrado está dentro do valor de mercado. “Avalie também se vale a pena ficar com um contrato mais barato, mas que não inclui peças, que geralmente são um pouco mais caros, mas também têm sua vantagem, principalmente em prédios mais antigos”, destaca.

 

Dicas do especialista para um bom planejamento orçamentário

- A previsão orçamentária é elaborada, geralmente, com base nos dados históricos dos gastos (pelo menos dos últimos 3 meses), ou seja, com valores mais atualizados.

- Fatores como a sazonalidade dos gastos são importantes. O consumo de água, por exemplo, costuma ser mais alto nos meses de verão, o que pode ser previsto no cálculo do valor do condomínio para esse período, assim como despesas como limpeza de caixa d’água, revisão dos extintores de incêndio, dedetização, que podem ocorrer em período diferente do histórico analisado mas precisam estar previstos.

- É aconselhável fazer uma média aritmética para que o valor do condomínio seja igual ao longo de todo o ano ainda que tenham alguns gastos que sejam sazonais.

- É aconselhável trabalhar com uma previsão para inadimplentes

- É possível que as despesas com 13º salário, férias e respectivos encargos sociais dos funcionários sejam distribuídas ao longo do ano. Entretanto, alguns condomínios fazem a opção do rateio dessas despesas nas épocas próprias, evitando assim a antecipação de recursos financeiros de seus condôminos.

- Caso opte pela diluição dos valores com 13° salário e férias, recomenda-se que a verba seja separada em conta à parte, de forma a não se perder no bolo das despesas mensais.

- É possível e aconselhável criar um fundo específico para obras e realizá-las quando houver saldo suficiente.

- Dependendo da variação dos valores das despesas, é aconselhável que, na Assembleia Geral que estiver aprovando o orçamento, deixe em aberto possíveis ajustes a serem feitos no decorrer da execução do período.

- A previsão orçamentária, quando aprovada pela assembleia, torna-se o orçamento do Condomínio e o síndico é o responsável pelo seu cumprimento.

Fonte: Marcelo Eller, gerente de negócios da APSA