Rio de Janeiro, 10 de novembro de 2015

Um cantinho para relaxar e se divertir

Varandas gourmet se tornam cada vez mais comuns em condomínios e adaptações precisam seguir a legislação Continue lendo

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Gabriel Menezes

O alto preço para comer e beber fora, o trânsito pesado e a violência das grandes cidades, além da rigidez cada vez maior da Lei Seca, são alguns dos fatores que ajudam a explicar a popularização das varandas gourmet em condomínios. E, quem pensa que o espaço é um privilégio para pessoas de classe alta, está enganado. Novos empreendimentos em construção, em diferentes bairros do Rio de Janeiro, como Méier, Lapa e Barra da Tijuca, já contam com o ambiente na planta de seus apartamentos.

Segundo Naum Ryfer, diretor de uma construtora e incorporadora com sede na cidade, as varandas gourmet ganharam status de cômodo e hoje já são uma das dependências que mais se destacam num imóvel.  ”Não existe mais aquele conceito de relacionar esse ambiente apenas com uma vista bonita. As varandas agora são espaçosas e equipadas com churrasqueiras modernas, onde os moradores podem trazer a diversão para dentro de casa, mas sem perder o conforto e a privacidade”,  destaca Ryfer.

Confraternização, conforto e segurança foram justamente o que motivaram a família da assistente social Viviane da Costa Pacheco a montar uma varanda gourmet na cobertura em que mora, no bairro de São Francisco, em Niterói. Ela conta que, desde então, o espaço se tornou o mais frequentado da casa, não só em festas e em reuniões, mas até mesmo no dia a dia. “Como moramos numa cobertura, a incidência do sol acontece durante todo o dia. A varanda é um dos lugares mais fresquinhos. Depois que fizemos as adaptações, passamos a ficar quase sempre lá. Além da grande circulação de ar, tem uma vista linda para o Rio de Janeiro e toda a infra-estrutura que precisamos”, conta.

Ela conta que o espaço tem home theater, bar, churrasqueira e adega. “O nosso programa de sexta-feira hoje em dia é ficar em casa e receber os amigos. É mais seguro e muito mais agradável”, salienta.

Integração e praticidade são essenciais

Em muitos lançamentos, as varandas já são entregues com toda a infra-estrutura básica como pia, bancada e churrasqueira. A partir daí, cabe ao morador incrementar e decorá-la de acordo com o seu gosto.

Para a arquiteta Leila Ribeiro, existem alguns itens que não podem faltar como frigobar, cooktop – de preferência, elétrico, o que facilita a instalação -, e armários para guardar pratos, copos e talheres. “Com isso, tudo pode ser feito no mesmo ambiente, sem a necessidade de ficar indo e vindo da cozinha”, argumenta a profissional, ressaltando que o orçamento de uma varanda básica gira em torno de R$ 6 a R$ 8 mil.

A também arquiteta Paula Martins acredita que o mais importante é que o espaço preze sempre pela integração entre os moradores e os convidados. “A varanda gourmet é um espaço de socialização. Por isso, ela tem que ser feita de uma forma que deixe esse aspecto o mais agradável possível”, diz.

Um ambiente, inúmeras possibilidades

As possibilidades de uso das varandas gourmet são inúmeras. O proprietário pode montar o espaço de acordo com os seus hábitos, por exemplo, se ela gosta de assistir a jogos de futebol com os amigos, pode investir numa televisão ou num retroprojetor e colocar assentos em lugares estratégicos para que todos fiquem confortáveis. Já se gosta de ouvir música, pode deixar um espaço livre para uma dança. “É muito importante a consultoria de um profissional que identifique o perfil do morador e defina o melhor projeto para ele”, orienta a arquiteta Manuela Guida, ressaltando que a indústria de produtos voltados para esse espaço vem crescendo em larga escala, com novidades a todo o momento, o que faz com que a escolha se torne mais complexa.

Entre os itens mais procurados para as varandas gourmet estão churrasqueiras – a gás ou elétricas, que não produzem fumaça -, chopeiras e até climatizadora de vinhos.

Outra questão importante é a escolha dos materiais utilizados no espaço. A dica dos profissionais da área é sempre se guiar pela facilidade de manutenção. “Normalmente, temos a bancada em granito ou mármore, armários em placa de madeira e revestimentos cerâmicos nas paredes e piso”, afirma a arquiteta Leila Ribeiro.

A arquiteta Paula Martins ressalta que opções como silestone, porcelanato e vidros também estão em alta, já que são de fácil limpeza.

Fechamento da varanda deve seguir regras

Ao investir numa varanda gourmet, boa parte dos moradores opta pelo fechamento da varanda – uma proteção contra mudanças climáticas e o barulho. Até pouco tempo atrás, a prática era proibida, mas, recentemente, foram criadas legislações que a regulamentaram. Entre as normas está a de que  o fechamento só poderá ser feito nas divisões entre as unidades, por sistema retrátil (cortina de vidro) em material incolor e translúcido.

Além disso, a alteração deverá seguir as normas técnicas de segurança e ser feita por empresas ou profissionais devidamente registrados no CREA/RJ. O condomínio deve decidir sobre o fechamento por meio de assembleia geral, definindo padrões coletivos.

A Lei Complementar nº 157/2015, publicada em 10 de julho deste ano, estabeleceu que os proprietários que já haviam feito a modificação, antes da regulamentação, têm até o dia 7 de novembro para regularizar seus imóveis mediante pagamento de contrapartida ao município. Para isso, antes de procurar a prefeitura, é preciso contratar um profissional responsável pelo projeto de arquitetura e pela execução da obra e assinar os requerimentos e recolhimento do registro de responsabilidade técnica (RRT para arquiteto ou ART para engenheiro).