Rio de Janeiro, 15 de março de 2016

Por dentro das telas de segurança

Saiba como escolher o equipamento ideal, quais cuidados ter na hora de contratar o fornecedor e que dicas de manutenção seguir para conservar as redes de proteção do condomínio. Continue lendo

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Aline Durães

Pequenos fios altamente resistentes entrelaçados, colocados especialmente em janelas e sacadas. Assim são as telas de segurança. O objetivo principal deste item cada vez mais corriqueiro nos condomínios cariocas é evitar acidentes com crianças, animais e até mesmo adultos. Mas esse não é o único. As redes de proteção previnem também a queda de objetos diversos que, se derrubados de grandes alturas, podem acabar machucando as pessoas atingidas próximas ao solo. Há ainda quem as utilize para separar ambientes, cercar áreas esportivas, decorar espaços e proteger a propriedade contra alguns tipos de animais.

No condomínio Vivenda dos Flamboyants, em Ipanema, além das redes presentes nas unidades, há tela de segurança no playground, localizado um andar acima da portaria. “Colocamos, principalmente, por questões de segurança para crianças, pois o parapeito é muito baixo, mas também por causa dos morcegos que voam à noite e batem nas paredes. Com o tempo, elas ficam manchadas, o que nos obriga a pintá-las sempre”, conta a síndica Maria Claudia Duchemin.

Como é o processo de instalação dessas telas? Que tipo de material é o mais indicado? Como conservar as redes para que promovam a segurança mesmo depois de certo tempo instaladas? E o processo de manutenção? Tenha o gestor ou não esse item de segurança em seu condomínio, as respostas para essas perguntas ajudam a entender melhor o universo das redes de proteção.

NBR 16.046

Uma norma brasileira foi aprovada pela ABNT para tratar especificamente das telas de segurança. Dividida em quatro partes distintas, a NBR 16.046, de 2012, estabelece os requisitos mínimos para a fabricação das redes para edificações, legisla sobre as cordas que compõem a rede, além de descrever os padrões mínimos a serem seguidos na instalação.

A norma, por exemplo, proíbe a utilização de material reciclado na composição da rede. Ainda sobre o material, ela determina que ele seja resistente à propagação de fogo e possua temperatura máxima de trabalho de 50º. Já o tamanho da malha utilizada deve ter, no máximo, 20 cm de diâmetro. “As redes de proteção destinadas a condomínios não são as mesmas que as redes utilizadas na construção civil, agricultura e esportes. Os materiais e especificações são diferentes. Segundo a ABNT, as redes para proteção de crianças, animais de estimação de pequeno porte e adultos devem ser de polietileno, ter 20 cm de soma no polígono (5 cm em cada lado) e resistir até 350 kg por m2. A recomendação é que elas possuam aditivos que retardem o envelhecimento por ações do sol, chuva, detritos etc.”, esclarece Florence Muller, diretora de uma empresa especializada em redes de proteção.

Dicas de Instalação

A instalação das telas em condomínios é relativamente simples: basta furar a parede para afixar os ganchos e, logo depois, prender a rede. Mas há detalhes que devem ser observados durante o processo.

O primeiro aspecto importante é o ambiente onde será colocada a rede. Uma tela para varandas e sacadas de apartamentos, por exemplo, não serve para quadras ou piscinas. Outro ponto de atenção são os ganchos. Há diferentes modelos e métodos de fixação distintos. Seja qual for a escolha do condomínio, esses itens devem estar em conformidade com as normas.

As redes podem ser afixadas do piso inferior ao teto, da grade ao teto ou ainda da grade ao piso inferior, em diversos substratos, que vão desde a alvenaria até a madeira, passando pelas estruturas metálicas. Mais uma vez, independentemente do material, o substrato precisa ter sua resistência testada para garantir que a rede irá suportar o peso determinado em lei. “Além disso, não devem ser realizadas instalações em dias de chuva. Uma vez que o material utilizado seja o correto, a principal preocupação é a fixação dos ganchos”, explica Florence.

No condomínio de Maria Cláudia, a instalação não foi problema. “Foi tudo muito rápido. Durou em torno de 4 horas e pagamos aproximadamente R$ 2 mil pelo serviço no play”. Para justificar o investimento e conseguir apoio de seus condôminos, a síndica de Ipanema conta que utilizou como argumentos o aumento no número de crianças no condomínio e a existência de dinheiro prévio em caixa. “Eu mesma nunca tinha deixado minha filha brincar à vontade no play, pois tinha medo que a bola ou outros objetos acabassem caindo na rua”, divide.

A importância de um bom fornecedor

Em um primeiro momento, a simplicidade da instalação das telas de proteção pode levar o síndico a pensar que poderia ele mesmo ou algum funcionário do condomínio seria hábil para o serviço. Mas o fato é que qualquer descuido nessa fase do projeto pode comprometer a segurança que justifica o investimento nas redes de proteção.

Daí a necessidade de o condomínio contar com uma empresa especializada para o serviço. Saber quem vai contratar é um dos passos primordiais do processo. Na hora de escolher, o gestor deve optar por fornecedores que possuam a certificação fornecida pela Associação Brasileira de Empresas Técnicas em Instalações de Redes de Proteção e Segurança (Abrasredes). O selo assegura que a prestadora cumpre as leis, utilizando os materiais adequados e respeitando os critérios de segurança do trabalho. “A recomendação é que a instalação seja feita por profissional treinado e experiente, pois ele tem conhecimento para saber onde furar, como furar e fixar ganchos. O profissional também tem que ter curso de NR35 para trabalho em altura (dependendo da altura da instalação) e usar todos os equipamentos de segurança”, conta Florence.

O síndico deve atentar também para o fabricante das redes. Algumas empresas de instalação trabalham com telas de fabricação própria. O problema é que, nem sempre, esse material passa pelo processo de vulcanização, que aumenta a resistência da tela na medida em que aquece os fios, tornando-os mais firmes. “Não existe nenhum tipo de fiscalização sobre o trabalho de instalação ou sobre os materiais que são instalados. Assim, muitas pessoas resolvem trabalhar de forma autônoma instalando qualquer material de qualquer jeito, dando garantias de sete a dez anos. Usualmente, entretanto, as promessas não são cumpridas. Jogam preços muito abaixo do padrão de mercado, não dão nota fiscal, não pagam os impostos e prejudicam muito o mercado, denegrindo a imagem de algumas empresas que são sérias e estão tentando entregar um bom trabalho”, alerta Florence Muller.

Conservação e Manutenção

Os valores para fixação de telas de proteção variam de acordo com a empresa, mas giram em torno de R$ 75 por metro quadrado. O investimento pode ser maximizado se o condomínio conseguir conservar as redes ao longo do tempo. Para isso, algumas dicas são importantes.

A primeira regra é evitar o contato das telas com produtos químicos, equipamentos cortantes e pontiagudos e fontes de calor.

Quando for limpar as redes, mais atenção: o ideal é utilizar um pano úmido com detergente neutro, retirando, assim, a sujeira mais grossa. Evite mexer nos ganhos e só remova a rede em casos estritamente necessários, como pinturas e obras em áreas próximas. Nestes casos, fuja do “faça você mesmo” e chame uma empresa especializada em instalação para realizar a retirada.

O condomínio deve ainda investir na manutenção periódica das redes. Ou seja, uma vez por ano, é necessário convocar empresa qualificada para verificar as condições da parede e fixação de ganchos. Se o condomínio estiver em área litorânea, a periodicidade para manutenção cai para seis meses.

Especialistas garantem que cuidados como esses elevam a vida útil das telas para até oito anos. As normas, no entanto, são mais rígidas e determinam que, em especial as redes destinadas à proteção de crianças devem ser trocadas depois de três anos de uso. “Em nossa opinião, a troca ou manutenção da rede só é responsabilidade do condomínio caso o condomínio opte por limpeza de fachada ou pintura ou quando as telas estão em área comum. O restante do tempo é de responsabilidade do proprietário do apartamento, uma vez que as redes não são obrigatórias”, saliente a diretora da empresa de redes de proteção.